O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estuda a possibilidade de suspender temporariamente a lei Jones Act, que determina algumas exigências para o transporte marítimo. As informações são da Reuters, divulgadas pela Agência Brasil.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse nesta quinta-feira (12) que a medida busca garantir que as remessas de energia e agrícolas navegar livremente entre os portos dos EUA em meio as interrupções de fornecimento causadas pela guerra no Oriente Médio.
“No interesse da defesa nacional, a Casa Branca está considerando suspender a Jones Act por um período limitado de tempo para garantir que produtos vitais de energia e produtos agrícolas essenciais fluam livremente para os portos dos EUA”, disse Leavitt em um comunicado. Vale lembrar que a ação não foi finalizada.
Fontes por dentro do assunto comentaram à Reuters que a isenção da medida pode ser de 30 dias, para combater a alta do preço internacional do petróleo, que superou o patamar de US$ 100 o barril nesta semana.
O abastecimento de energia para os consumidores norte-americanos pode ser afetado e os preços das bombas já atingiram altas históricas. Nesse cenário, a isenção temporária da lei permitiria que os navios estrangeiros transportassem combustíveis entre os portos dos EUA — e não somente os navios americanos, como acontece hoje.
Vale destacar que a medida não abaixaria consideravelmente o preço da gasolina, mas pode facilitar o recebimento de outros produtos para empresas e indústrias.
Estreito de Ormuz fechado
Em meio ao conflito entre Estados Unidos e Irã, iniciado em 28 de fevereiro, o Estreito de Ormuz é uma das regiões mais afetadas pelos ataques.
Dados de navegação mostrados pelo O Brasilianista mostram que pelo menos 150 navios-tanque, incluindo petroleiros e transportadores de gás natural liquefeito, estão ancorados em águas abertas do Golfo Pérsico e do Estreito de Ormuz.
O local é a principal rota de exportação do mundo. O Estreito de Ortiz conecta os maiores produtores de petróleo do Golfo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, com o Golfo de Omã e o Mar Arábico.
Por isso, seu bloqueio é de extrema preocupação para os países que comercializam com essas regiões, especialmente conhecidas pela produção de commodities, como petróleo e gás natural — os combustíveis fósseis de maior demanda.
Segundo o National Geographic, o Estreito de Ormuz é o único canal que liga a passagem de petróleo do Golfo ao Oceano Índico. Isso significa que os navios petroleiros que circulam na região transportam diariamente cerca de 30% do consumo total da commodity.
São, no total, oito ilhas principais, sendo que sete delas são controladas pelo Irã. O país mantém forte presença militar na região desde a década de 1970 e, portanto, é um dos principais balizadores do preço do petróleo.
Por sua vez, a costa sul da região é controlada pelo Omã. Ainda assim, os Emirados Árabes Unidos tentam reivindicar soberania de algumas ilhas há anos.
Vale ressaltar que não existem rotas alternativas com a mesma capacidade de escoamento imediato, o que reforça a necessidade de paz na região.
Fechamento do Estreito é prejudicial para a economia do mundo todo
O Estreito de Ormuz é dominado pelo governo iraniano e uma maneira de fechar a região seria através da instalação de minas marítimas, uso de embarcações rápidas armadas, submarinos e mísseis costeiros, de acordo com a Politize!.
Isso impacta todo o comércio marítimo, além da economia mundial. Funciona assim: com a principal via de petróleo e gás natural fechada, a demanda por esses combustíveis seguiria aumentando, o que consequentemente aumenta o preço das commodities.
Além do risco do produto não chegar ao destino final, os valores pagos por petróleo seriam mais altos do que normalmente, visto que a produção de distribuição estariam comprometidas.

