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Economia

Famílias brasileiras alcançam novo recorde de endividamento em fevereiro

O movimento é observado após um cenário de três meses de queda na quantidade de pessoas inadimplentes

Famílias brasileiras alcançam novo recorde de endividamento em fevereiro

Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta quarta-feira (11), no mês de fevereiro, o país alcançou recorde de endividamento, com resultados que apontam que 80,2% das famílias brasileiras possuem neste momento alguma dívida. Entre esse grupo, 29,6% afirmaram estar com parcelas de contas atrasadas.

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Conforme informações da Confederação Nacional do Comércio, Bens, Serviços e Turismo (CNC), o índice de endividamento é o maior já registrado desde o início da série histórica, realizada a partir de 2010. Em relação a janeiro, os registros de inadimplência apresentam crescimento de 0,7 ponto percentual (p.p.), superando o último índice em 3,8 p.p.

“O aumento do endividamento preocupa, não costumamos ver este nível, mas o crescimento da inadimplência preocupa ainda mais porque é mais um sintoma do estrago que este longo período de aperto monetário com a alta Selic provoca no orçamento das famílias brasileiras”, afirma o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.

Cenário pós-queda

O movimento é observado após um cenário de três meses de queda na quantidade de pessoas inadimplentes. Em comparação com os últimos resultados de retração, o índice avançou para 29,6%, o que pode indicar uma nova pressão sobre o orçamento das famílias brasileiras. O resultado pode ter sido impulsionado pelas famílias de maior renda, que recebem acima de cinco salários mínimos, e que utilizam o crédito para manter o padrão de consumo sem utilizar capital próprio, aponta a CNC.

Os dados indicam que entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, o endividamento aumentou de 65,5% em 2025 para 69,3% em 2026. Já os quem mais sofrem com dívidas são as famílias de baixa renda, nas quais 38,9% têm contas em atraso, e quase uma em cada cinco delas dizem não ter condições de quitar suas contas pendentes.

De acordo com presidente do Sistema CNC, José Roberto Tadros, os índices são resultados diretos da atual política monetária restritiva presente no país. Segundo ele, apesar de ser positivo em alguns casos, o acesso ao crédito pode se transformar em um ciclo perigoso, em que o aumento das dívidas pode ser potencializado por altos juros que dificultam o pagamento.

“O endividamento das famílias brasileiras atingiu um patamar crítico e inédito, asfixiado pela manutenção da taxa Selic em níveis elevados desde 2025. Embora o crédito seja um motor essencial para o consumo, o custo do dinheiro permanece proibitivo, criando um ciclo perigoso em que o aumento das dívidas é potencializado por juros altos que dificultam a amortização. Sem alívio consistente nos juros, a capacidade das famílias de limpar seus cadastros fica comprometida, o que acaba por frear o dinamismo do nosso comércio e serviços”.

Cartões de crédito lideram o endividamento

Entre as modalidades em que as famílias mais acumulam dívidas está a utilização do cartão de crédito, responsável por 85,0% dos registros de inadimplência. Em seguida aparecem os carnês de lojas, que representam 16,0% das dívidas. Também figuram entre as principais modalidades os financiamentos imobiliários, com 9,8% das ocorrências, e os financiamentos de veículos, que correspondem a 8,9% dos registros.

Para chegar aos resultados, a pesquisa analisou os dados de 18 mil consumidores de todas as capitais do país mais o Distrito Federal. A partir das informações, o levantamento traçou o perfil da capacidade de consumo e do nível de comprometimento da renda dos brasileiros.

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