Segundo o Panorama Econômico da Indústria, relatório trimestral produzido pelo Departamento de Economia da Fiesp, 11 dos 12 segmentos industriais de São Paulo registraram queda na produção, vendas, custos e investimentos no primeiro trimestre de 2026. Os indicadores mostram queda em todos os itens comparados ao trimestre anterior. A produção marcou 46,6 pontos, enquanto as vendas chegaram a 43,6 pontos.
O índice de custos atingiu 37,8 pontos. Entre os investimentos, máquinas e equipamentos registraram 38,9 pontos, pesquisa e desenvolvimento (P&D) 35,5 pontos, iniciativas relacionadas à Indústria 4.0 32,1 pontos e capacidade instalada 41,1 pontos.
A pesquisa ainda mostra que os empresários industriais atuam em um contexto de restrições produtivas. Entre os obstáculos mais citados estão a falta de trabalhadores qualificados, dificuldade de ampliar mercado e vendas e os efeitos persistentes das altas taxas de juros.
A indefinição quanto aos impactos da reforma tributária, prevista para janeiro de 2027, também contribui para o clima de cautela. A expectativa de mudanças nas regras fiscais gera preocupação adicional no setor.
Expectativas do mercado
Mesmo 2026 começando com o “pé esquerdo”, parte da indústria já projeta uma recuperação moderada no segundo trimestre. A produção deve avançar para 51,2 pontos e as vendas para 50,2 pontos. Ainda assim, o otimismo é contido. Os indicadores de custos e investimentos permanecem em níveis que sinalizam desafios à atividade industrial.
O panorama setorial confirma a retração generalizada. No primeiro trimestre de 2026, 11 dos 12 segmentos analisados registraram uma situação considerada ruim em todos os indicadores.
Desempenho dos setores
Alimentos e bebidas: após crescimento de 1,1% na produção no último trimestre de 2025, impulsionado pelos laticínios, os empresários reportam deterioração em todos os componentes avaliados.
Têxtil, vestuário, couro e calçados: com queda de 1,6% na produção no fim de 2025, o setor têxtil mantém indicadores relativamente sólidos, mas o início de 2026 é considerado difícil.
Madeira e móveis: retração de 1,0% no quarto trimestre de 2025; a produção de madeira desacelera, enquanto o setor moveleiro mantém estabilidade.
Papel, celulose e impressão: redução de 2,6% na produção; todos os indicadores seguem em deterioração no primeiro e segundo trimestre.
Petróleo, químicos e farmacêutico: queda de 2,7% no último trimestre de 2025, puxada pelo setor de petróleo. A projeção para o segundo trimestre aponta recuperação na produção (53,1 pontos), vendas (51,6 pontos) e capacidade instalada (50,8 pontos).
Borracha e plástico: leve retração de 0,2% no trimestre anterior, mas crescimento anual de 1,5%. É esperado recuperação na produção e vendas (50,7 pontos cada), avanço em Indústria 4.0 (52,7 pontos) e ampliação da capacidade instalada (53,4 pontos).
Minerais não metálicos e metalurgia: crescimento de 0,9% em 2025, liderado pela metalurgia de metais não ferrosos; empresários projetam queda no curto prazo.
Produtos de metal: recuo de 0,4% na produção no quarto trimestre de 2025, mas previsão de melhora no segundo trimestre, com produção e vendas em 53,1 pontos e capacidade instalada em 55,6 pontos.
Informática e material elétrico: produção caiu 0,7% no fim de 2025; setor apresenta a avaliação mais negativa, com expectativa de piora contínua em todos os indicadores.
Máquinas e equipamentos: estabilidade no último trimestre de 2025; subsetor de manutenção de máquinas registrou maior dinamismo.
Veículos e outros equipamentos de transporte: expectativa de crescimento no segundo trimestre da produção (51,5 pontos), vendas (54,4 pontos) e investimentos em P&D (52,9 pontos), Indústria 4.0 (54,4 pontos) e capacidade instalada (52,9 pontos).
Diversos: segmento apresentou o melhor desempenho no quarto trimestre de 2025, com expansão de 2,6%; para o próximo trimestre, há projeção de aumento nos investimentos em capacidade instalada, estimados em 55,6 pontos.

