Nesta sexta-feira (13), a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda manteve sua projeção para o crescimento econômico em 2026, mas registrou novo marco de aumento da inflação em meio ao conflito no Oriente Médio. As informações são da Reuters, divulgadas pelo InfoMoney.
O relatório projetou a alta do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano em 2,3%, mantendo o nível estimado no documento divulgado em fevereiro. Por sua vez, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador da inflação no Brasil, deve fechar 2026 em 3,7%, contra 3,6% previstos antes.
O aumento na projeção da inflação brasileira se dá devido análise de um temporário conflito na região do Irã, iniciado ao final de fevereiro. A guerra impacta diversos setores, incluindo cenário de juros, comércio de petróleo e câmbio.
“Destacam-se mudanças tanto na cotação do petróleo como na estimativa de câmbio médio para 2026… Essas mudanças alteraram as estimativas de inflação para 2026”, informa a SPE. O relatório destaca que a variação no preço do petróleo tem efeitos relevantes sobre a economia brasileira.
Na elaboração dos cálculos, a SPE considera que o conflito no Oriente Médio deve ter um arrefecimento nos próximos dias. Ainda assim, durante esta semana, os preços do barril do petróleo superaram o valor de US$ 100.
Inflação ficará pressionada em meio à guerra
O cenário de guerra prevê uma pressão inflacionária de 0,14 ponto percentual neste ano. Isso impactará positivamente o mercado brasileiro, com mais 0,1 ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB) e US$2,5 bilhões na balança comercial. Ainda, será possível ganhar R$21,4 bilhões na receita líquida do governo.
Apesar do aumento dos preços aos consumidores, o choque nos valores do petróleo deve impulsionar o crescimento econômico do país por meio de maior atividade extrativa no Brasil. Por sua vez, a renda gerada se propaga para outros segmentos, mas é compensada pelo aumento dos juros.
Guerra prolongada pode agravar o cenário
Na possibilidade do conflito se estender por mais tempo, a SPE simulou cenários de choque persistente, em que há interrupções de logística em meio a recuperação gradual do petróleo e destruição de instalações produtivas.
Para o Brasil, quanto maior o conflito, a pressão inflacionária aumenta, bem como os ganhos para o PIB, a balança comercial e a arrecadação.
“A expectativa para 2026, mesmo diante do conflito, é de que o crescimento siga resiliente, que a inflação continue em queda e que a meta para o resultado primário seja atingida”, disse o documento.
Fechamento do Estreito é prejudicial para a economia do mundo todo
O Estreito de Ormuz é dominado pelo governo iraniano e uma maneira de fechar a região seria através da instalação de minas marítimas, uso de embarcações rápidas armadas, submarinos e mísseis costeiros, de acordo com a Politize!.
Isso impacta todo o comércio marítimo, além da economia mundial. Funciona assim: com a principal via de petróleo e gás natural fechada, a demanda por esses combustíveis seguiria aumentando, o que consequentemente aumenta o preço das commodities.
Além do risco do produto não chegar ao destino final, os valores pagos por petróleo seriam mais altos do que normalmente, visto que a produção de distribuição estariam comprometidas.

