Uma das maiores produtoras de etanol e biomassa de cana-de-açúcar do mundo, a Raízen solicitou recuperação extrajudicial como parte de uma estratégia para renegociar dívidas bilionárias, acumuladas de forma descontrolada nos últimos anos. A companhia, controlada pela Cosan e pela Shell, busca reestruturar cerca de R$ 65 bilhões em compromissos financeiros.
A empresa explica, de forma geral, que a recuperação extrajudicial surgiu em decorrência da deterioração do crédito, cenário evidenciado pelo rebaixamento dos seus ratings corporativos pelas principais agências nacionais e internacionais. De acordo com nota da empresa, o plano de recuperação prevê 90 dia para alcançar a negociação de um plano definitivo de reestruturação com os seus credores.
“O Grupo Raízen dispõe do prazo de 90 dias, a contar do processamento da Recuperação Extrajudicial, para obter o percentual mínimo necessário à homologação do seu plano de recuperação extrajudicial, assegurando, assim, a vinculação de 100% dos créditos sujeitos aos novos termos e condições de pagamento a serem definidos no Plano”, disse a Raízen em comunicado.
Motivos que levaram à recuperação
Conforme já exposto, o mercado avalia que entre os fatores que levaram a empresa à situação atual estão o aumento do endividamento e as crescentes perdas financeiras registradas. Em três trimestres, a Raízen registrou perdas de R$ 19,8 bilhões, bem como teve recuo de R$ 197,5 bilhões para R$ 174,5 bilhões em suas receitas, apontam informações do Uol.
Com a crise financeira desde de 2024, os registros apontam que a dívida líquida apresentou crescimento de 43,5%. Além disso, o endividamento líquido chegou a R$ 55,3 bilhões. No ano anterior, o valor era de R$ 38,6 bilhões, bem como passou a representar 5,3 vezes o total do lucro operacional da companhia.
Recentemente, o Relatório de Resultados da empresa sobre o 3º trimestre expôs que a companhia precisou aplicar procedimentos contábeis que resultaram em um impairment de R$ 11,1 bilhões, um ajuste contábil que reduz o valor de determinados ativos para refletir sua capacidade de recuperação, incluindo tributos diferidos e a recuperar e ágio sobre rentabilidade futura.
“Tais provisões não possuem efeito de caixa e poderão ser futuramente revertidas à medida que as circunstâncias macroeconômicas da indústria melhorem e a Companhia equacione sua estrutura de capital”, informou a Raízen.
Reestruturação
O pedido de reestruturação da Raízen, que é o maior já realizado no país, propõe a conversão de parte dos créditos sujeitos em participação acionária na companhia, a substituição de parte dos créditos sujeitos por novas dívidas e a reorganizações societárias. Uma das principais ações para alcançar a quitação das dívidas é a venda de ativos do grupo.
Segundo informações do Poder 360, acionistas avaliam a possibilidade de aportar aproximadamente R$ 4 bilhões na companhia, com o intuito de reforçar o caixa da empresa. A expectativa é que a Shell contribua com cerca de R$ 3,5 bilhões para o plano de capitalização, bem como um veículo ligado à Cosan possa aportar R$ 500 milhões para a reestruturação.
Para permitir com que a empresa seguisse as ações de reestruturação, a Justiça determinou, nesta quinta-feira (12), a suspensão de todas as ações e execuções contra a companhia em relação aos créditos abrangidos pelo processo pelo prazo de 180 dias. As informações são do InfoMoney.

