O navio de carga chinês Run Chen 2 foi o primeiro a cruzar o Estreito de Ormuz desde que a passagem foi interrompida devido a guerra com os EUA e Israel. No mesmo dia, três outras embarcações chinesas também realizaram a travessia, quase metade do tráfego comercial não iraniano que começou a ser retomado.
De acordo com o Arko Advice, apesar do avanço inicial, a movimentação ainda se concentra em navios de carga mais antigos e de menor valor, enquanto grandes petroleiros e porta-contêineres permanecem ancorados, aguardando medidas de segurança mais robustas e escoltas confiáveis.
A retomada parcial do tráfego é vista como um sinal positivo para a normalização das exportações de petróleo e do comércio marítimo essencial para a China. No entanto, especialistas alertam para riscos significativos que ainda podem afetar a logística e elevar custos de transporte.
A necessidade de rotas alternativas, como a transferência de cargas pelo porto de Yanbu, na Arábia Saudita, aumenta o tempo de viagem e reduz a eficiência, impactando a cadeia de suprimentos e os preços de energia domésticos, mesmo com estoques relativamente altos.
Momento delicado com a Índia
De acordo com a Reuters, uma fonte do governo indiano afirmou que Teerã permitiria a passagem de petroleiros indianos pelo Estreito, responsável por cerca de 40% das importações de petróleo do país, mas um representante iraniano fora do país negou que qualquer acordo formal tivesse sido firmado.
Nos últimos dias, ministros das Relações Exteriores da Índia e do Irã conversaram por telefone sobre segurança da navegação e abastecimento energético. O navio-tanque Suezmax Shenlong, carregado com petróleo saudita, chegou recentemente a um porto em Mumbai e se tornou a primeira grande embarcação a chegar à Índia vindo do Oriente Médio desde o início do conflito em fevereiro.
O cliente é a estatal Bharat Petroleum Corp. Outros dois petroleiros estrangeiros, que segundo fontes estariam a caminho da Índia, também transitaram recentemente pelo estreito, após garantias de passagem segura fornecidas pelo Irã para embarcações indianas.
Ainda assim, especialistas destacam que a situação continua instável, com pouca clareza sobre como as instruções do governo iraniano são transmitidas entre os diferentes órgãos administrativos.
O ministério iraniano responsabilizou os EUA pela insegurança na região, sem mencionar acordos específicos sobre embarcações indianas, enquanto Nova Déli criticou ataques recentes a navios comerciais, incluindo um com destino ao porto de Kandla, que resultou em mortes de cidadãos indianos.
Retomada da travessia
Segundo o Insurance Journal, alguns dias depois do primeiro navio atravessar o estreito, outro transportando um milhão de barris de petróleo bruto saudita cruzou o estreito, sendo um dos primeiros grandes no ramo a deixar o Golfo Pérsico desde a quase paralisação do tráfego. O Suezmax Shenlong, operado pela grega Dynacom Tankers Management Ltd., desligou seu transponder no Golfo em 4 de março e reapareceu próximo à costa indiana na manhã de segunda-feira.
A ameaça à navegação mercante permanece real, com ataques iranianos a pelo menos 16 embarcações desde o início do conflito. Embora algumas travessias recentes não tenham registrado incidentes, autoridades marítimas alertam que a situação deve ser interpretada como uma trégua temporária, e não como mudança de intenções.
Segundo dados da TankerTrackers.com Inc., o Irã continuou a enviar grandes volumes de petróleo pelo estreito, estimando que pelo menos 11 a 12 milhões de barris tenham transitado desde fevereiro. O Centro Conjunto de Informações Marítimas (JMIC) reforçou que a região ainda apresenta ameaças concretas à navegação mercante e à infraestrutura offshore de energia.
A travessia recente do Run Chen 2 e de outros navios chineses representa, portanto, um passo inicial na retomada do tráfego pelo Estreito de Ormuz, mas os riscos permanecem elevados, exigindo cautela das empresas de navegação e dos governos envolvidos.

