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Geopolítica

Escalada do conflito entre EUA e Irã pode prejudicar Trump nas eleições em novembro; entenda

No final do ano, o país norte-americano terá eleições para renovar cargos da Câmara e Senado

Escalada do conflito entre EUA e Irã pode prejudicar Trump nas eleições em novembro; entenda

A guerra iniciada pelos Estados Unidos contra o Irã pode impor diversos e graves custos políticos ao presidente Donald Trump, segundo analistas entrevistados pelo g1.

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O tempo de conflito ainda está indeterminado, à medida em que as forças iranianas resistem. Ao mesmo tempo, os preços do petróleo disparam e já alcançam a casa dos US$ 100 por barril.

Para Trump, o cenário é delicado: ele busca maneiras de arrefecer a alta do petróleo enquanto acalma os eleitores americanos que devem escolher novos parlamentares em novembro. A expectativa é de que o preço da gasolina suba e a guerra permaneça entre os americanos.

No entanto, o humor dos eleitores está se deteriorando, de acordo com Denilde Holzhacker, professora de relações internacionais da ESPM, em entrevista ao g1. Para ela, Trump tenta transmitir a mensagem de que a guerra vai acabar, que o Estreito de Ormuz será controlado, mas não há qualquer fundamento para essa afirmação.

O Estreito de Ormuz é o único canal que liga a passagem de petróleo do Golfo ao Oceano Índico. Isso significa que os navios petroleiros que circulam na região transportam diariamente cerca de 30% do consumo total da commodity.

Desde o início dos conflitos, em fevereiro, o Irã bloqueia a passagem, o que afeta diretamente a demanda e o preço do petróleo.

Qual eleição Trump se preocupa?

Os EUA terão, em novembro, eleições de meio de mandato, em que os estadunidenses devem escolher novos governadores, 435 cadeiras da Câmara e 35 do Senado. O momento é decisivo para entender se Trump terá o apoio necessário nas duas Casas Legislativas, visto que atualmente os republicanos — partido de Trump — dominam as casas.

Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, explicou, também ao g1, que a alta do petróleo ocorre em um momento especialmente desfavorável para o governo americano. Isso porque o republicano estava tentando manter a narrativa de economia forte e energia mais barata no mercado interno.

Além disso, a perda de empregos e volatilidade econômica também impactam os eleitores, visto que o bolso dos consumidores está mais apertado.

“Isso acaba transformando o preço da energia em uma espécie de termômetro imediato do eleitor, sobretudo em um ano eleitoral”, afirmou Aragão.

O cenário gera um impacto muito grande nos eleitores de média e baixa renda, especialmente nos estados independentes para as eleições dos EUA. Ou seja, em que não há convenção de maioria democrata ou republicana — são geralmente os estados que definem as eleições no país.

Ainda de acordo com o g1, economistas em Washington estimam que um aumento de 10% no preço do petróleo pode reduzir em cerca de 0,2 ponto percentual o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA. Já uma alta de US$ 10 no barril pode adicionar cerca de 0,1 ponto à inflação americana.

Fechamento do Estreito é prejudicial para a economia do mundo todo

O Estreito de Ormuz é dominado pelo governo iraniano e uma maneira de fechar a região seria através da instalação de minas marítimas, uso de embarcações rápidas armadas, submarinos e mísseis costeiros, de acordo com a Politize!.

Isso impacta todo o comércio marítimo, além da economia mundial. Funciona assim: com a principal via de petróleo e gás natural fechada, a demanda por esses combustíveis seguiria aumentando, o que consequentemente aumenta o preço das commodities.

Além do risco do produto não chegar ao destino final, os valores pagos por petróleo seriam mais altos do que normalmente, visto que a produção de distribuição estariam comprometidas.

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