Xi Jinping é o principal líder político da China e ocupa simultaneamente os cargos de presidente da República Popular da China, secretário-geral do Partido Comunista Chinês e chefe da Comissão Militar Central.
No comando do país desde 2013, ele se tornou uma das figuras mais influentes da política mundial e consolidou um modelo de liderança que ampliou o controle do partido sobre diferentes áreas do Estado.
A trajetória de Xi, que passou por cargos locais antes de chegar ao topo da hierarquia chinesa, ajuda a entender o papel que ele exerce hoje na política interna e nas relações internacionais. As informações são da BBC.
Origem familiar
Segundo o portal InfoMoney, Xi Jinping nasceu em 15 de junho de 1953, em Fuping, na província de Shaanxi.
Ele é filho de Xi Zhongxun, um dos veteranos da revolução comunista chinesa e integrante do alto escalão do partido nas décadas seguintes à fundação da República Popular da China.
Durante a infância, viveu em um ambiente ligado à elite política chinesa. No entanto, a situação da família mudou durante a Revolução Cultural, período em que seu pai caiu em desgraça dentro do regime.
De acordo com o portal UOL, na adolescência, Xi passou anos vivendo em condições rurais em uma vila da província de Shaanxi, onde realizou trabalhos manuais pesados.
Relatos apontam que essa fase teve influência direta na construção de sua narrativa política, apresentada posteriormente como experiência de aproximação com a população rural. Durante esse tempo, ele tentou diversas vezes ingressar oficialmente no Partido Comunista até ser aceito.
Ainda jovem, tornou-se secretário local do partido na comunidade onde vivia. Segundo a reportagem, essa experiência ajudou a moldar sua reputação como político disciplinado e alinhado à estrutura partidária.
Mais tarde, ingressou na Universidade Tsinghua, em Pequim, onde estudou engenharia química. Ao longo da carreira, também obteve doutorado em Direito.
Ele entrou oficialmente no Partido Comunista em 1974, dando início ao caminho que o levaria aos principais cargos do país.
Ascensão dentro do Partido Comunista
Como informado pelo Poder360, a carreira política de Xi Jinping foi construída de forma gradual, passando por diferentes cargos administrativos em províncias chinesas.
Ele atuou em funções locais em Fujian, Zhejiang e Xangai, ocupando posições como vice-prefeito, governador e secretário do partido.
Em 2007, entrou para o Comitê Permanente do Birô Político, considerado o núcleo mais poderoso da política chinesa. No ano seguinte, assumiu a vice-presidência da China, tornando-se um dos principais nomes para suceder a liderança nacional.
Em 2012, chegou ao cargo de secretário-geral do Partido Comunista e assumiu o comando da Comissão Militar Central. No ano seguinte, foi eleito presidente do país, acumulando as principais posições de poder.
Como Xi consolidou sua autoridade?
Ainda segundo a BBC, após assumir o comando, Xi Jinping fortaleceu o controle sobre as Forças Armadas e o aparato de segurança interna.
Ele promoveu reformas estruturais no Exército e realizou mudanças que ampliaram a centralização das decisões militares.
A campanha anticorrupção lançada nos primeiros anos de governo levou à investigação de milhões de pessoas, incluindo figuras importantes do partido e das Forças Armadas.
Especialistas citados pela reportagem apontam que a iniciativa também contribuiu para reduzir a influência de grupos rivais dentro da estrutura política.
Ao mesmo tempo, aliados políticos passaram a ocupar cargos estratégicos em diferentes regiões do país. Essa reorganização ajudou a consolidar uma rede de apoio dentro do Partido Comunista e reforçou a autoridade do presidente.
Ideologia e fortalecimento da imagem do líder
Em 2018, o chamado “Pensamento de Xi Jinping sobre o socialismo com características chinesas para uma nova era” foi incorporado à Constituição chinesa.
A inclusão de uma ideologia com o nome do líder é considerada um marco simbólico dentro da tradição política do país.
A partir desse momento, universidades e instituições passaram a criar centros de estudo voltados ao pensamento político do presidente.
Além disso, materiais educacionais e aplicativos oficiais foram lançados para divulgar conceitos associados à sua liderança.
Analistas citados nas reportagens explicam que a medida reforça a legitimidade política de Xi e fortalece sua posição dentro do partido, aproximando sua imagem de líderes históricos da China.
Política interna
Como apurado pelo portal EXAME, sob sua liderança, a China ampliou a presença do Estado na economia e adotou medidas voltadas ao controle de setores estratégicos.
O governo lançou programas para redução da pobreza e incentivou projetos de desenvolvimento tecnológico e industrial.
Xi também defendeu o conceito de “prosperidade comum”, que busca reduzir desigualdades e estimular maior contribuição de grandes empresas e bilionários para a sociedade. Paralelamente, o país intensificou investimentos em inovação e expansão tecnológica.
Na política econômica internacional, a China passou a incentivar o uso do renminbi (moeda oficial da República Popular da China) em acordos comerciais e lançou projetos globais de infraestrutura, como a Iniciativa do Cinturão e Rota, que envolve países da Ásia, África e Europa.
Relações internacionais
Ainda de acordo com o portal InfoMoney, durante o governo de Xi Jinping, a China adotou postura mais ativa na política externa.
O país ampliou investimentos internacionais, reforçou alianças com países em desenvolvimento e passou a disputar maior influência global.
Ao mesmo tempo, aumentaram as tensões com os Estados Unidos, especialmente em áreas comerciais e tecnológicas.
Questões envolvendo Taiwan, disputas territoriais e restrições tecnológicas também ganharam destaque nos últimos anos.
Perfil reservado e liderança prolongada
O Poder360 enfatiza que diferente de líderes ocidentais que adotam comunicação constante nas redes sociais, Xi Jinping mantém perfil público mais discreto. Sua atuação costuma ocorrer por meio de discursos oficiais e decisões internas do Partido Comunista.
Em 2018, a Constituição chinesa foi alterada e eliminou o limite de dois mandatos presidenciais, abrindo caminho para permanência prolongada no poder. Desde então, Xi passou a ser apontado como o líder chinês mais influente desde Mao Tsé-Tung.

