O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a responsabilidade pela segurança do Estreito de Ormuz, principal canal de petróleo do mundo, diz respeito a todos os países que importam a commodity da região. As informações são do Estadão, divulgadas pelo InfoMoney.
No último sábado (14), o republicano escreveu em sua rede social, Truth Social, que os países que recebem petróleo dessa região “devem cuidar dessa passagem” e que os EUA trabalharão com essas nações para que que essa proteção aconteça de forma rápida e suave, indicando que isso “sempre deveria ter sido um esforço conjunto”.
Ainda, Trump mencionou que os EUA já venceu a guerra pois o país “derrotou e dizimou” o Irã militar e economicamente.
Em resposta, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, alegou em entrevista exclusiva ao canal norte-americano MS NOW que o Estreito está fechado apenas para os “petroleiros e navios pertencentes aos nossos inimigos, àqueles que nos atacam e seus aliados”. As informações são do Uol.
Apesar de reconhecer que algumas nações não têm passado pelo local por receio do conflito, Aragahchi disse que “isso não tem nada a ver conosco”.
O Estreito de Ormuz é o único canal que liga a passagem de petróleo do Golfo ao Oceano Índico. Isso significa que os navios petroleiros que circulam na região transportam diariamente cerca de 30% do consumo total da commodity.
Desde o início dos conflitos, em fevereiro, o Irã bloqueia a passagem, o que afeta diretamente a demanda e o preço do petróleo.
Fechamento do Estreito é prejudicial para a economia do mundo todo
O Estreito de Ormuz é dominado pelo governo iraniano e uma maneira de fechar a região seria através da instalação de minas marítimas, uso de embarcações rápidas armadas, submarinos e mísseis costeiros, de acordo com a Politize!.
Isso impacta todo o comércio marítimo, além da economia mundial. Funciona assim: com a principal via de petróleo e gás natural fechada, a demanda por esses combustíveis seguiria aumentando, o que consequentemente aumenta o preço das commodities.
Além do risco do produto não chegar ao destino final, os valores pagos por petróleo seriam mais altos do que normalmente, visto que a produção de distribuição estariam comprometidas.
Continuidade da guerra pode ser prejudicial para Trump
Para Trump, o cenário é delicado: ele busca maneiras de arrefecer a alta do petróleo enquanto acalma os eleitores americanos que devem escolher novos parlamentares em novembro. A expectativa, como mostrado pelo O Brasilianista, é de que o preço da gasolina suba e a guerra permaneça entre os americanos.
No entanto, o humor dos eleitores está se deteriorando, de acordo com Denilde Holzhacker, professora de relações internacionais da ESPM, em entrevista ao g1. Para ela, Trump tenta transmitir a mensagem de que a guerra vai acabar, que o Estreito de Ormuz será controlado, mas não há qualquer fundamento para essa afirmação.
Os EUA terão, em novembro, eleições de meio de mandato, em que os estadunidenses devem escolher novos governadores, 435 cadeiras da Câmara e 35 do Senado. O momento é decisivo para entender se Trump terá o apoio necessário nas duas Casas Legislativas, visto que atualmente os republicanos — partido de Trump — dominam as casas.
O cenário gera um impacto muito grande nos eleitores de média e baixa renda, especialmente nos estados independentes para as eleições dos EUA. Ou seja, em que não há convenção de maioria democrata ou republicana — são geralmente os estados que definem as eleições no país.

