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Justiça

Caso Master: Temporada de delações pode ter início

A linha investigativa construída até o momento e estabelece um cenário de intensa pressão jurídica sobre os envolvidos

Caso Master: Temporada de delações pode ter início

A resolução do ministro André Mendonça de preservar a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro marcou uma nova etapa da crise política e institucional ligada ao caso do Banco Master. Na sessão virtual conduzida na sexta-feira pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, Mendonça contou com o apoio dos ministros Luiz Fux e Kássio Nunes Marques, constituindo maioria para sustentar a prisão preventiva do banqueiro e chancelar as medidas cautelares adotadas no âmbito da investigação da Polícia Federal.

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A mesma decisão preservou restrições e investigações sobre indivíduos tidos como integrantes do núcleo operacional do esquema. Entre eles figuram o empresário Fabiano Zettel, identificado como operador financeiro do grupo, e o escrivão aposentado da Polícia Federal Marilson Roseno da Silva, suspeito de ter facilitado o acesso a informações sigilosas das investigações.

Outro nome presente na decisão judicial é o do advogado Leonardo Augusto Furtado Palhares, referenciado no item 107.3 do despacho assinado pelo ministro Mendonça. A inserção de Palhares no rol de investigados reforça a compreensão de que o caso extrapolou o campo estritamente financeiro e passou a abranger um leque mais amplo de atores institucionais e empresariais.

Esse conjunto de resoluções sustenta a linha investigativa construída até o momento e estabelece um cenário de intensa pressão jurídica sobre os envolvidos. É exatamente nesse contexto que, nos corredores de Brasília, ganha força a percepção de que o caso pode ingressar em uma nova etapa: a das colaborações premiadas.

A possível delação de Vorcaro sempre foi encarada como uma hipótese de destaque. Contudo, o avanço das investigações demonstra que o universo de colaboradores em potencial é consideravelmente mais amplo. Investigadores apontam um conjunto de pessoas ligadas à rotina pessoal e profissional do banqueiro que poderiam oferecer depoimentos relevantes sobre episódios ainda não totalmente elucidados.

Entre essas pessoas estão trabalhadores que conviviam de perto com o empresário. O capitão do iate utilizado por Vorcaro, o cozinheiro e a empregada doméstica Monique são mencionados como possíveis testemunhas — todos, segundo relatos, teriam sido alvo de intimidações por parte do banqueiro.
No setor administrativo surge ainda o nome de Ana Claudia Queiroz de Paiva, que teria participado da execução de pagamentos ordenados por Vorcaro, desempenhando papel relevante na estrutura financeira do esquema. Por esse motivo, é apontada como uma potencial fonte de informações sobre a movimentação das transferências e a organização dos pagamentos vinculados ao grupo.

Além dela, funcionários e sócios de companhias responsáveis por gerir parte das finanças do grupo podem deter conhecimento aprofundado sobre fluxos de recursos, arranjos societários e eventuais mecanismos empregados para viabilizar operações delicadas.

A investigação, contudo, não se restringe ao círculo empresarial e pessoal de Vorcaro. A Polícia Federal aponta suspeitas que alcançam ex-dirigentes do Banco Central do Brasil — entre eles Paulo Sergio Neves de Souza e Belline Santana, que surgiram nas apurações por supostos vínculos ou consultorias relacionadas ao Banco Master e foram submetidos a medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.

Esses fatores ajudam a compreender por que, em Brasília, o caso deixou de ser visto exclusivamente como um escândalo financeiro. A investigação já expôs conexões políticas, institucionais e empresariais que perpassam diferentes esferas do poder público.

Nesse cenário, a perspectiva de múltiplas colaborações altera profundamente a natureza do problema político. Em escândalos de tal magnitude, as crises tendem a se intensificar quando figuras secundárias resolvem falar. Depoimentos independentes costumam se entrecruzar e fortalecer determinadas linhas de investigação.

Por esse motivo, no ambiente político já se comenta, ainda que de forma discreta, a abertura de uma verdadeira temporada de delações. Ainda não é possível prever quantas delas ocorrerão nem até que ponto suas revelações poderão chegar.

No entanto, após a decisão do Supremo que manteve Vorcaro detido e confirmou o cerco judicial ao seu círculo, a percepção amplamente compartilhada em Brasília é cada vez mais consolidada: o caso do Banco Master ainda está distante de seu encerramento — e pode estar apenas iniciando sua fase mais sensível.

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