O setor automotivo brasileiro terá um cronograma gradual de adaptação com o Acordo Mercosul–União Europeia, conforme destacado pelo vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. Veículos a combustão deverão ter suas tarifas zeradas somente após 15 anos, enquanto carros elétricos poderão contar com o mesmo benefício em até 18 anos.
O Brasilianista detalha que essa transição mais longa reflete a necessidade de dar tempo para que a indústria nacional se ajuste à nova competitividade, permitindo que o setor automotivo brasileiro se prepare para a entrada de produtos europeus.
No Mercosul, a Tarifa Externa Comum (TEC) sobre veículos é de 35%. A estrutura tarifária e o cronograma de zeragem gradual das taxas têm como objetivo evitar impactos abruptos nas montadoras brasileiras, considerando que veículos e autopeças representam uma parcela significativa do setor industrial do país.
Embora o Acordo Mercosul–UE abra espaço para maior integração comercial, ainda não há detalhes específicos sobre quais categorias de veículos ou faixas de produção serão priorizadas nas concessões tarifárias. Autoridades brasileiras planejam analisar, junto às montadoras, o tipo e porte dos veículos que poderão entrar no mercado europeu, avaliando o impacto real sobre a indústria nacional.
O que dizem os especialistas?
De acordo com especialista consultados pelo Quatro Rodas, Milad Kalume Neto, consultor e diretor-executivo da K.LUME Consultoria Automobilística, o acesso a produtos europeus competitivos e novas tecnologias podem impulsionar a produção e o desenvolvimento locais.
A tecnologia de veículos híbridos flex, por exemplo, pode ganhar escala, beneficiando a indústria nacional. Por outro lado, Neto aponta limitações: a produção de veículos de luxo no Brasil, por exemplo, pode ser tornar algo menos viável, com a lógica de manter essa produção na Europa, que oferece maior escala e mercado adequado.
Ele identifica três pontos críticos: Dificuldade das fabricantes do Mercosul em competir com as europeias, risco de redução da produção local de autopeças frente à concorrência externa e necessidade de adequação da produção conforme eficiência de cada continente.
Consultada, a BMW ressaltou que apoia o livre comércio, destacando que ele é um motor de crescimento e progresso, enquanto tarifas dificultam a operação do setor.
Carros mais caros?
Os carros importados podem se tornar mais competitivos no Brasil ao longo do tempo. A redução gradual das tarifas de importação deve permitir que veículos e autopeças europeias cheguem ao mercado nacional a custos menores, abrindo espaço para preços mais acessíveis.
No entanto, a isenção não será imediata: veículos a combustão terão tarifas zeradas apenas em até 15 anos, enquanto carros elétricos poderão ter o mesmo benefício em até 18 anos.
Mesmo com a redução das tarifas, fatores como tecnologia de produção, escala de fabricação e estratégia das montadoras europeias também influenciarão se os preços realmente cairão no consumidor final.
Contagem regressiva
Como já foi publicado pelo O Brasilianista, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia deve ser sancionado ainda nesta semana e entrar em vigor em até 60 dias.
Alckmin destacou que o tratado deve impulsionar exportações brasileiras de produtos de maior valor agregado, incluindo aviões, automóveis, motos e motores, fortalecendo a competitividade da indústria nacional. Mais de 54% das exportações terão tarifas zeradas imediatamente, enquanto importações europeias terão redução gradual em até 15 anos, permitindo adaptação do setor, de acordo com o vice-presidente.
O acordo abrange Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, além dos 27 países da União Europeia, e prevê redução gradual de tarifas, regras mais claras para empresas e investidores, e maior segurança jurídica para o comércio bilateral, que movimentou US$ 100 bilhões em 2025.

