Referência entre os principais varejistas alimentares da América do Sul, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) possui em andamento um plano de recuperação extrajudicial, aprovado pela Justiça na última quarta-feira (11). A expectativa é que, com o deferimento do processo a empresa consiga renegociar R$ 4,5 bilhões em compromissos adquiridos durante a crise financeira que acompanha a empresa à alguns anos.
Em um cenário cada vez mais crítico, o Grupo Pão de Açúcar fechou no último trimestre do ano 11 lojas, com movimento observado desde de 2023, quando 39 das 728 lojas unidades passaram a não funcionar mais. Com dificuldades para se adaptar ao aumento da competitividade no setor do varejo alimentar, conforme avaliam especialistas, a empresa presenciou o fechamento das bandeiras Extra, Mini Extra, Pão de Açúcar e Minuto Pão de Açúcar, segundo informações do Isto É Dinheiro.
Alta das taxas de juros
Entre os problemas que levaram o GPA à atual situação, além da falta de estratégia para se adequar às mudanças no segmento alimentar e decisões consideradas equivocadas, está a alta dos juros, que passou a influenciar o crescimento das dívidas da empresa. O momento de maior pressão sobre o caixa pode ter dificultado o pagamento de encargos financeiros.
Nos últimos dois anos, a companhia precisou destinar R$ 3,3 bilhões para o pagamento de encargos financeiros, problema que foi piorado pelo prejuízo líquido das operações continuadas de cerca de R$ 651 milhões. Em 2025, a empresa arrecadou R$ 20,6 bilhões, volume considerado insuficiente para o tamanho dos problemas. Nesse contexto, os últimos registros apontam que a dívida bruta total alcançava o patamar de cerca de R$ 4 bilhões.
Com isso, especialistas do mercado avaliam que a confiança dos investidores nas ações da empresa tende a cair. A avaliação é confirmada pelos últimos dados, os quais apontam que as ações do GPA acumulam queda de mais de 32% neste ano. Em relação aos últimos cinco anos, a desvalorização dos ativos atingiu 87%.
Processo de recuperação extrajudicial
Conforme noticiado anteriormente pelo O Brasilianista, o processo de recuperação extrajudicial autorizado pelo Juízo da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo prevê que a empresa tem 90 dias concluir as negociações com credores que ainda não aderiram ao plano. Informações apontam que titulares de aproximadamente R$ 2,1 bilhões em créditos já aderiram ao acordo.
“Essa medida é o início de um processo de reestruturação das nossas dívidas não operacionais” disse a empresa. “Assim, o plano representa um passo importante para o objetivo da administração de fortalecer o balanço, melhorar o perfil do endividamento e posicionar a companhia para o futuro, ao mesmo tempo que preserva o relacionamento com fornecedores e protege sua operação”, afirmou a empresa em comunicado.
O processo de reestruturação não inclui pagamentos relacionados ao dia a dia do negócio, bem como salários, aluguel de lojas e fornecedores. Além disso, durante o plano de recuperação, as operações comerciais do grupo continuam ativas.

