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Economia

Investidores de Wall Street têm visão otimista sobre o Brasil

Entre as avaliações está a de que o dólar deve continuar sob pressão, movimento que pode favorecer a moeda brasileira

Investidores de Wall Street têm visão otimista sobre o Brasil

O Brasil aparece em um cenário relativamente otimista para investidores de Wall Street. Mesmo diante das incertezas do ciclo atual marcado pela disputa eleitoral, considerada polarizada, investidores internacionais mantêm uma visão positiva sobre o país, apoiados em uma perspectiva estrutural mais vantajosa para os mercados emergentes.

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Essa percepção foi observada durante reunião organizada pelo HSBC, na última semana em Nova York, para cerca de 80 investidores internacionais. Segundo informações do OGlobo, o sócio da consultoria Arko Advice, Lucas Aragão, esteve presente na reunião e adquiriu impressões do grupo sobre o cenário político e econômico brasileiro.

Brasil como alternativa de proteção

Sobre as expectativas dos participantes, entre as avaliações está a de que o dólar deve continuar sob pressão nos próximos meses. Esse movimento pode favorecer a valorização de outras moedas ao redor do mundo, inclusive o real brasileiro. Além disso, há questionamentos em relação à independência do Banco Central dos Estados Unidos.

Diante disso, o comportamento esperado é que o Brasil passe a ser percebido por alguns investidores até como uma alternativa relativa de proteção dentro dos países emergentes, mesmo que historicamente tenha foi visto como um destino de alocação de risco.

Visões sobre a atual política econômica

Conforme apontado por Lucas Aragão, um dos pontos debatidos durante a reunião foi a preocupação com a análise da implementação da tarifa zero para o transporte público em todo o país. A percepção da maioria é de que a medida pode ser fiscalmente inviável neste mandato, especialmente por ser um ano eleitoral.

Além disso, investidores se preocupam com o crédito privado no Brasil. Os questionamentos sobre o tema giraram em torno do por que o governo ainda não avançou em uma regulação mais robusta do setor, isto especialmente após episódios recentes que afetaram a confiança nessa classe de ativos. Com isso, a ideia é que se a taxa de juros não cair mais empresas podem ter grandes problemas financeiros.

O foco está voltado principalmente para movimento dos riscos para a inflação e para os cortes de juros no Brasil. O grupo se divide em duas opiniões, em que um lado acredita que mais inflação poderia ser ruim para a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na contramão, parte acha que Gabriel Galípolo pode demorar mais a cortar os juros.

Na visão dos participantes, no período eleitoral, o país pode passar por forte pressão fiscal, gerada pelo crescimento dos gastos obrigatórios, o que exigiria algum tipo de ajuste estrutural, como nova reforma da Previdência, bem como mudanças no arcabouço fiscal.

Argumentos gerais sobre o país

O observado é que as questões eleitorais não têm gerado preocupação de forma direta entre os investidores internacionais. Além disso, há expectativa de commodities em níveis elevados, o que tende a beneficiar o Brasil, dada a importância desses produtos na pauta de exportações.

Em relação à mudança no comando do Ministério da Fazenda não foi registrado nenhum desconforto com a decisão do presidente de nomear o secretário executivo Dario Durigan para suceder Fernando Haddad, que sairá da pasta para concorrer ao governo do estado de São Paulo. O substituto é visto como alguém com boa interlocução com o mercado e perfil pragmático, com capacidade de manter diálogo com investidores, afirma Lucas Aragão.

Situação de Lula e Flávio Bolsonaro

Há questionamentos entre investidores sobre os perfis do atual chefe do Executivo e do senador Flávio Bolsonaro. O mercado tenta compreender como cada um poderia lidar com o cenário fiscal a partir de 2027. O avanço de Flávio Bolsonaro nas discussões eleitorais tem gerado surpresa entre alguns investidores. Já em relação a uma eventual vitória de Lula, o sentimento negativo ainda é menos intenso entre investidores estrangeiros do que entre os próprios brasileiros.

“Investidores perguntaram quais seriam as prioridades de governo a partir de 2027, diante do cenário de pressão fiscal crescente. Acham que Lula poderia fazer melhorias fiscais reais apenas se extremamente pressionado pelo mercado, e não por vontade própria”, afirmou Aragão.

Jair Bolsonaro e Flávio

Em relação ao filho do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, investidores perguntam quais seriam as ações dele para equilibrar o lado pragmático da política econômica associado a possíveis nomes, como Mansueto Almeida, Gustavo Montezano, Daniella Marques e eventualmente Paulo Guedes, com a pressão ideológica do bolsonarismo.

Além disso, os participantes tiveram dúvidas sobre qual seria o papel de Jair Bolsonaro, quanto espaço seria dado a grupos ideológicos, assim como se haveria repetição de conflitos institucionais vistos no governo anterior. Questões sobre como Flávio lidaria com o Congresso Nacional e o Supremo e se teria uma postura mais institucional ou de confronto.

Caso Banco Master

Entre os casos mais emblemáticos envolvendo o país e que foi citado pelos investidores está o do Banco Master. Eles perguntaram sobre os desdobramentos das investigações, principalmente em relação aos possíveis impactos envolvendo os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e se o episódio poderia gerar crises institucionais maiores, como a renúncia ou impeachment de magistrados.

Sobre a Petrobras, foi perguntado sobre quando a empresa repassará para os preços domésticos a alta do petróleo, especialmente no diesel, diante do conflito entre os Estados Unidos e o Irã. Existe curiosidade também sobre como a empresa vai agir diante do cenário em que o petróleo continue aumentando.

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