Os recentes ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel contra o território iraniano, que resultaram na morte do Líder Supremo Ali Khamenei, alcançaram um alto patamar de visibilidade no Brasil. Segundo estudo da Genial/Quaest, 75% da população sabe o que está ocorrendo entre Estados Unidos, Israel e Irã.a
Mas, o acesso a informação não é igual para todos. Enquanto no Sul o índice de ciência chega a 83%, no Nordeste ele cai para 65%. A escolaridade também mostra certa diferença: 93% dos que têm nível superior informados, contra 65% daqueles com apenas o ensino fundamental.
Como o brasileiro enxerga a guerra?
O brasileiro avalia a guerra a partir de sua própria realidade. A pesquisa revela que o brasileiro está, em grande parte, angustiado. 81% tem medo de que o confronto se transforme em uma guerra mundial. Esse sentimento é mais latente entre as mulheres (89%) do que entre os homens (72%).
Sob a ótica da fé e da política, católicos e evangélicos compartilham quase o mesmo nível de receio cerca de 82 e 80% respectivamente.
O mesmo sentimento atravessa até a polarização partidária, já que 89% dos eleitores de Lula e 78% dos apoiadores de Bolsonaro demonstram o mesmo temor de uma escalada global do conflito.
Neutralidade brasileira
Na hora de decidir como o Brasil deve se portar, a maioria prefere a cautela, mas os recortes revelam nuances importantes. Para 77% o Brasil deve se manter neutro. Na visão política, por exemplo, o suporte ao bloco EUA/Israel é bem mais expressivo entre os apoiadores de Bolsonaro, chegando a 36%, contra apenas 7% dos eleitores de Lula.
Já entre os lulistas e independentes, a defesa pela neutralidade ganha muita força, sendo a opção de 80% e 82% desses grupos, respectivamente. Quando o assunto passa pela visão religiosa, os evangélicos mostram uma tendência maior de apoio a Israel (19%) em comparação aos outros grupos.
Por região, no nordeste, por exemplo, 10% acreditam que o Brasil deve se posicionar a favor dos bloco EUA/Israel, o Centro-Oeste é o que mais acredita nessa posição, com 18%. Mas a neutralidade ganha em todas as regiões com cerca de 75% a 78%.
Mulheres e homens também acreditam que o país devem se manter neutro. Menos de 20% dos homens e das mulheres entrevistados acreditam que o país deve se posicionar favor dos EUA/Israel ou do Irã. Por outro lado, a opção de se manter neutro é a favorita absoluta entre os católicos (77%) e evangélicos (72%). Essa dinâmica também se repete na questão financeira.
Embora o desejo de neutralidade seja majoritário em todas as faixas de renda, entre quem ganha mais de 5 salários mínimos a ideia de apoiar os EUA e Israel é mais aceita, atingindo 17%, enquanto entre os que ganham até 2 salários mínimos esse apoio cai para 11%.
Mas independente da faixa salarial a grande maioria, entre 76% a 78%, acredita que o país deve se manter neutro.

