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Economia

Delação de Vorcaro ocorre em meio à crise e cenário imprevisível em Brasília

Analista aponta incerteza e ausência de comando sobre desdobramentos

Delação de Vorcaro ocorre em meio à crise e cenário imprevisível em Brasília

A possível delação de Daniel Vorcaro ocorre em meio a um dos momentos mais delicados da política brasileira, marcado por incertezas e falta de controle sobre os rumos das investigações. Em entrevista à CNN Brasil, o cientista político Murillo de Aragão afirmou que o cenário em Brasília está longe de extremos, mas igualmente distante de previsibilidade.

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Segundo ele, embora haja especulações que vão de uma “terra arrasada” a uma possível “pizza”, nenhuma dessas hipóteses deve se concretizar plenamente. “É impossível, na minha opinião, que a gente tenha ou uma delação que derrube tudo, ou uma situação que derrube a República, ou uma grande pizza”, disse.

Para Aragão, o contexto atual é especialmente crítico. “O fato é que o momento político em que nós vivemos, tanto estruturalmente como conjunturalmente, é um dos piores da história da República”, afirmou. Nesse ambiente, ele destaca que não há controle efetivo sobre os desdobramentos: “É impossível alguém controlar, ou mesmo algumas das lideranças, controlar o destino das investigações e dos acontecimentos”.

Murillo resume o momento como de completa incerteza: “Nós estamos hoje na mão do acaso, na mão de uma delação, não talvez uma principal delação, mas uma delação que venha de alguém que participou dos esquemas, ou uma revelação, ou uma descoberta”, declarou, acrescentando que o país “navega no escuro, dentro de uma das grandes crises institucionais da história da República”.

Falta de controle e risco de vazamentos

Ao comentar a possibilidade de controle institucional sobre as investigações, Aragão foi categórico ao apontar limitações, inclusive por parte do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, ainda que decisões sejam tomadas, o fluxo de informações escapa ao controle.

“Vazamentos são incontroláveis, porque se transitam informações de um lado para o outro […] tem atores que podem vazar ou não, que estejam burlando a lei ou infringindo a lei”, afirmou. Para ele, não há como garantir “um controle absoluto sobre o que está acontecendo”.

Delação é só parte de um processo maior

Ainda à CNN Brasil, o cientista político relativizou o foco exclusivo na delação de Vorcaro, destacando que o caso envolve muitos outros elementos. “As pessoas, em geral, estão preocupadas muito com a delação […] mas o fato é que existem muitas pessoas envolvidas, muitas testemunhas envolvidas”, disse.

Na avaliação dele, esses fatores podem intensificar ainda mais a crise: “Tudo isso pode agregar calor e energia ao processo que a gente ainda não tem uma noção exata”.

Aragão lembrou ainda que, desde o início, houve tentativas de limitar o alcance do caso, sem sucesso. “Houve sempre uma tentativa de manter o caso […] dentro de certos limites, não se conseguiu, ele foi avançando, ora por conta de revelações, ora por conta de vazamentos, ora por conta do acaso”, afirmou.

Pressão da opinião pública e da imprensa

Outro ponto destacado por Aragão é o papel crescente da opinião pública e da imprensa na condução do caso. Segundo ele, a indignação popular e o envolvimento da mídia tornam o cenário ainda mais difícil de controlar.

“A opinião pública está muito atenta e indignada”, disse. Ele acrescenta que episódios envolvendo a imprensa aumentaram o nível de vigilância: “Tornaram a imprensa ainda mais vigilante e agressiva com relação ao tema”, continuou.

Diante desse contexto, conclui, controlar o fluxo de informações e os rumos da investigação se tornou um desafio ainda maior.

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