Publicidade
Economia

Mais da metade das empresas industriais planejam investir em 2026, segundo CNI

Contudo, há receio em meio à política monetária do país, com a Selic no maior patamar dos últimos 20 anos

Mais da metade das empresas industriais planejam investir em 2026, segundo CNI

Levantamento aponta que cerca de 56%, ou seja, mais da metade dos empresários industriais planejam investir em 2026. Segundo os dados da pesquisa Investimentos na Indústria 2025-2026, publicada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta terça-feira (17), uma parte dos negócios adiou ou cancelou aportes em andamento em função da alta dos juros no país.

Publicidade

Os resultados apontam que 62% dos investimentos em planejamento darão sequência a projetos em andamento, enquanto 31% representam novas oportunidades de aportes. Na contramão, 23% das empresas do setor de industrial não pretende destinar dinheiro para investimentos este ano.

Alta dos juros

Conforme apontado, o receio surge em meio à política monetária do país, marcada pela taxa de juros, a Selic, em 15% ao ano, o que representa o seu maior patamar em 20 anos. De acordo com o gerente de Análise Econômica da CNI, o cenário econômico preocupa, já que os investimentos são importantes para o crescimento do segmento no país.

“O percentual de empresas que não pretendem investir é elevado e reflete o cenário adverso que a indústria herdou do ano passado, principalmente por conta dos juros altos. É um resultado que preocupa, uma vez que os investimentos são a base de um crescimento sustentável e a fonte do tão necessário aumento da produtividade da economia brasileira”, explica Marcelo Azevedo.

Investimentos com capital próprio

Os dados apontam que 62% das empresas planejam investir em ativos a partir de recursos próprios, enquanto 28% pretendem obter recursos de terceiros, como bancos e instituições financeiras. De acordo com Azevedo, o capital próprio é a principal fonte de financiamento dos investimentos da indústria há alguns anos.

“O capital próprio ganhou importância em meio às dificuldades das empresas para obterem crédito junto ao sistema financeiro, seja pelo alto custo desses recursos, seja por outros entraves, como a exigência de garantias”, afirma Marcelo Azevedo.

Em relação aos locais de investimentos, a demanda nacional ainda é prioridade para o setor. A pesquisa revela que 67% das empresas pretendem fazer investimentos observando o mercado interno como único ou principal foco, enquanto outros 24% declararam que os mercados interno e externo são o foco de suas aplicações.

Investimentos em 2025

As incertezas econômicas também foram um dos principais impedimentos para os investimentos da indústria em 2025. No período, 63% dos empresários com planos de investimentos afirmaram ter incertezas econômicas. Além disso, também influenciaram no setor a queda das receitas, com 51% dos apontamentos, bem como incertezas setoriais, com 47%, a expectativa de baixa demanda, com 46%, e entraves tributários, que foram apontados por 45% dos entrevistados.

Em relação aos aportes no ano, 72% das empresas da indústria de transformação destinaram recursos para investimentos. Entretanto, 2% dos que tinham o intuito de investir cancelaram os aportes, outros 4% adiaram para o ano seguinte e 3% cancelaram os aportes sem previsão de retorno.

Tipo ou natureza dos investimentos:

  • 73% das empresas compraram máquinas ou equipamentos;
  • 50% atualizaram ou modernizaram plantas, fábricas ou armazéns;
  • 38% efetuaram retrofit de máquinas ou equipamentos; e
  • 35% ampliaram, adquiriram ou construíram terrenos ou instalações.

Siga as redes sociais do O Brasilianista