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Economia

Guerra no Irã já pressiona entrega e pode encarecer medicamentos

Empresas estrangeiras já redirecionam cargas sensíveis e o Brasil sente efeito indireto no custo e prazo de insumos farmacêuticos

Guerra no Irã já pressiona entrega e pode encarecer medicamentos

A guerra no Oriente Médio começou a afetar a cadeia de medicamentos essenciais para os países do Golfo. Rotas de transporte de remédios contra o câncer e outros tratamentos que exigem refrigeração estão sendo interrompidas, e empresas do setor têm redirecionado voos e buscado alternativas terrestres para garantir a entrega.

De acordo com a Reuters, embora ainda não haja sinais claros de escassez, a situação pode piorar se o conflito se prolongar. O Golfo depende fortemente de importações, e muitos medicamentos têm prazo de validade curto e exigem armazenamento em cadeia de frio, o que dificulta o transporte terrestre de longa distância.

Empresas farmacêuticas ocidentais têm buscado rotas alternativas. Algumas remessas são transportadas por terra a partir de aeroportos como Jeddah e Riyadh, enquanto outras usam Istambul e Omã como pontos de trânsito. O fechamento de aeroportos estratégicos, incluindo Dubai, Abu Dhabi e Doha, tornou essas medidas necessárias.

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Brasil pode sentir pressão

O conflito no Oriente Médio acende um alerta para a indústria farmacêutica global, e o Brasil não está imune aos efeitos. Segundo Jackson Campos, Diretor de Relações Institucionais da AGL Cargo, os impactos tendem a ser indiretos no curto prazo, mas já aparecem em três frentes.

De acordo com a análise de Campos, o Brasil depende fortemente de insumos farmacêuticos ativos (IFAs) importados, principalmente de China e Índia. Com isso, medicamentos que usam APIs e intermediários importados, como genéricos e produtos de grande escala, são os mais vulneráveis. Solventes, excipientes e insumos químicos derivados da petroquímica também entram nessa lista.

“Primeiro, a energia. A alta do petróleo pressiona os custos industriais. Depois, a petroquímica, porque muitos intermediários químicos usados na produção de medicamentos vêm dessa cadeia. E, por fim, a logística, com fretes mais caros e transporte global mais imprevisível”, explica Campos.

Produtos que exigem maior cuidado no transporte, como medicamentos refrigerados ou de alto valor agregado, tendem a sentir primeiro os efeitos de atrasos e aumento de custos logísticos. Jackson Campos afirma que, atualmente, o cenário indica encarecimento e alongamento de prazos do que risco de desabastecimento generalizado.

Para o especialista, se o conflito se prolongar, esses efeitos podem se intensificar, afetando especialmente medicamentos de menor margem e cadeias que dependem de reposição contínua. O impacto no Brasil não vem de uma ruptura direta no fornecimento de APIs do Oriente Médio, mas de um efeito em cadeia.

Estrangeiros já se preparam

A Reuters ainda enfatiza que equipes internas foram criadas para priorizar remessas essenciais, como tratamentos contra o câncer, e monitorar a temperatura de medicamentos sensíveis, utilizando corredores de cadeia de frio alternativos, gelo seco e logística 24 horas.

As empresas estrangeiras mapearam remessas em trânsito ou prontas para envio, definindo quais cargas devem ser desviadas e quais novas remessas precisam ser planejadas. Apesar de atrasos e custos mais altos, os estoques gerais ainda são considerados seguros, evitando escassez imediata.

Dubai e Doha na exportação

Ambas regiões funcionam como hubs de carga, conectam Europa, Ásia e África e movimentam medicamentos sensíveis à temperatura. Mais de 20% da carga aérea global, principal via para transporte de medicamentos e vacinas, está exposta a risco de interrupção na região.

Corredores de cadeia de frio alternativos não podem ser montados rapidamente e nem sempre estão disponíveis. Para priorizar remessas essenciais, algumas empresas criaram equipes internas para garantir que medicamentos críticos, como tratamentos oncológicos, cheguem aos pacientes. Sem armazenamento e manuseio adequados, essas remessas podem não chegar ao destino.

O mapeamento das remessas em trânsito ou prontas para envio passou a ser a primeira etapa para decidir quais devem ser desviadas e quais novas remessas precisam ser planejadas. Algumas cargas que normalmente passam por Dubai ou Doha estão sendo redirecionadas por China ou Singapura. Rotas marítimas são inviáveis devido ao tempo de viagem e ao bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã.

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