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Geopolítica

Como países da América do Sul encaram possibilidade de classificar PCC e CV como facções criminosas?

Governo Lula mostra preocupação com o enquadramento de ambas facções e tenta conversa com México e Colômbia

Como países da América do Sul encaram possibilidade de classificar PCC e CV como facções criminosas?

A classificação de duas facções criminosas no Brasil, Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas tem preocupado o governo do Brasil. De acordo com o G1, Lula tem conversado com líderes latino-americanos para tratar do combate ao crime organizado e, ao mesmo tempo, evitar que os Estados Unidos adotem essa classificação para as facções brasileiras.

O Planalto disse que Lula conversou com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e também com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, países que lidam com desafios próprios relacionados ao narcotráfico e à violência organizada.

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Lula tem demonstrado preocupação com o tema e buscado ouvir chefes de Estado que já enfrentaram situações semelhantes. Além disso, o governo brasileiro tenta ganhar tempo nas negociações com os Estados Unidos, pedindo que qualquer decisão sobre o assunto seja discutida diretamente entre Lula e Donald Trump.

Como países latino-americanos veem o tema?

Na contramão da posição brasileira, o Paraguai adotou uma linha mais dura. Em entrevista ao Valor Econômico, o presidente Santiago Peña afirmou ser favorável à classificação do PCC e do CV como organizações terroristas, inclusive por parte dos Estados Unidos.

Segundo Peña, o próprio Paraguai já tomou essa decisão anteriormente, motivado pela presença ativa dessas facções no território nacional. Ele afirmou que a medida permitiu ampliar o uso das forças de segurança e militares no combate ao crime organizado.

Em uma visita ao Brasil na última segunda-feira (16), Paz assinou um acordo para fortalecer a cooperação no combate ao crime organizado transnacional, com ênfase em ações contra o tráfico de pessoas, narcotráfico, lavagem de dinheiro, tráfico de armas, mineração ilegal, crimes cibernéticos e crimes ambientais.

Em outubro de 2025, o governo paraguaio classificou oficialmente as duas facções como organizações terroristas internacionais. Segundo a Agência de Informação do Paraguai, a justificativa inclui a escalada da violência e a atuação transnacional dos grupos, considerados pelo governo como agentes de desestabilização.

Bolívia

O presidente Rodrigo Paz afirmou que facções como o PCC e o CV fazem parte de um “ciclo de terrorismo”, ao relacionar o narcotráfico a práticas que geram instabilidade e insegurança. Paz citou a prisão de Sebastián Marset, apontado como ligado ao PCC, como exemplo do impacto dessas organizações.

Na avaliação do presidente, reproduzida pelo Valor Econômico, a atuação de grandes narcotraficantes pode ser comparada ao terrorismo, o que justificaria uma abordagem mais ampla no combate.

Argentina

O governo argentino também avançou no enquadramento das facções. Segundo a CNN, a ministra da Segurança, Patricia Bullrich, afirmou que o PCC e o CV foram incluídos no Registro de Pessoas e Entidades Vinculadas a Atos de Terrorismo. De acordo com a ministra, as organizações passaram a ser tratadas como “narcoterroristas”.

A medida ocorre em paralelo a operações policiais e a um controle mais rigoroso dentro do sistema prisional.

O país também tem reforçado a vigilância nas fronteiras. Conforme a emissora, o ministro da Defesa, Luis Petri, defendeu o uso de “todo o poder do Estado” para impedir a entrada de membros dessas facções. A Argentina também iniciou o envio de militares para áreas de fronteira com Bolívia e Paraguai e avalia ampliar essa atuação.

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