Publicidade
Justiça

Caso Master: Vorcaro e Mansur estão com o mesmo advogado

José Luis Oliveira Lima, conhecido em Brasília como Juca, defendeu figuras importantes nos julgamentos na Lava Jato, no Mensalão e no 8 de Janeiro

Caso Master: Vorcaro e Mansur estão com o mesmo advogado

Daniel Bueno Vorcaro, dono do Banco Master, e João Carlos Mansur, dono da Reag, têm em comum mais do que o fato de serem investigados pela Polícia Federal (PF) por crimes financeiros. A dupla também está com o mesmo advogado: José Luis Oliveira Lima, conhecido em Brasília como Juca.

Publicidade

Juca defendeu figuras importantes nos julgamentos da Operação Lava Jato, do Mensalão e do 8 de Janeiro. A atuação do advogado em prol de Vorcaro e Mansur indica que ambos terão a mesma linha de defesa, voltada à tecnicidade e a evitar exposição prematura enquanto os inquéritos ainda estão em curso.

Apesar de o advogado ter amplo trânsito nas cortes superiores de Brasília e no mundo político e ter intermediado a delação de Léo Pinheiro, da OAS, na Lava Jato, há dúvidas se ele promoverá acordos de delação contra autoridades do Legislativo e Judiciário.

Mudança no time

Vorcaro é investigado por liderar organização criminosa que usava empresas de fachada e fundos de pensão de servidores para inflar o capital do banco (Foto: Creative Commons/Editada por IA)

A contratação de Juca por Vorcaro foi anunciada na sexta-feira (13). O advogado substituiu o também criminalista Pierpaolo Bottini.

A saída de Pierpaolo Bottini foi interpretada como sinal de que Vorcaro firmaria uma colaboração premiada. A possibilidade de uma delação era nula com Bottini, pois ele não trabalha com essa ferramenta processual e representa políticos do Centrão que podem vir a ser delatados pelo banqueiro.

Antes da saída de Bottini, Walfrido Warde também deixou a defesa de Vorcaro por ser contrário a uma delação premiada. As trocas na equipe de advogados de Vorcaro são resultado da manutenção da prisão do banqueiro pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), na sexta-feira (13).

Master e Reag

Decisão da autoridade monetária prevê bloqueio de bens enquanto responsabilidades são apuradas (Foto: Criada por IA/O Brasilianista)
João Carlos Mansur é investigado por ajudar a inflar o balanço do Master e por lavar o dinheiro do PCC (Foto: Criada por IA/O Brasilianista)

Vorcaro é investigado por, segundo a PF, liderar uma organização criminosa que usava empresas de fachada e fundos de pensão de servidores para injetar capital no banco em troca de vantagens indevidas a gestores públicos.

Essas operações se tornaram um tema sensível no mercado financeiro e nas autoridades monetárias, por conta do risco sistêmico para a aposentadoria de milhares de servidores públicos e para o Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Banco Master consolidou sua expansão oferecendo taxas de retorno agressivas em letras financeiras e certificados de depósito Bancário (CDBs). A instituição financeira também está na mira da CPI do INSS, por supostamente participar dos descontos ilegais feitos em benefícios do INSS recebidos por aposentados e pensionistas.

A Reag, que foi liquidada pelo Banco Central (BC), e seu fundador, João Carlos Mansur, são investigados pela Polícia Federal (PF) por supostamente ajudarem a inflar o balanço do Master e por lavar o dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).

As investigações ganharam corpo com as operações Compliance Zero, que mira o Master, e a Carbono Oculto, que investiga o uso de refinarias e postos de combustível para lavar o dinheiro do crime organizado. Mansur é apontado pela PF como articulador dessas movimentações junto a figuras como Vorcaro, porque teria viabilizado um aporte de R$ 1 bilhão no BRB.