Em reação às mudanças climáticas, o governo federal lançou o Plano Clima para orientar ações de mitigação dos gases de efeito estufa, bem como medidas para transformar o país em uma economia de baixo carbono. A partir da ideia de garantir um futuro mais sustentável, o documento tem como principal meta reduzir entre 59% e 67% as emissões de dióxido de carbono até 2035.
Durante evento de anúncio das novas ações em favor do meio ambiente, que aconteceu em Brasília nesta última segunda-feira (16), a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou que o mundo já tem vem vivendo os efeitos das mudanças climáticas e por isso é necessário a implementação de um planejamento imediato. “O Plano Clima é a principal estratégia do governo para o enfrentamento aos graves problemas da mudança do clima que já estão nos assolando”, afirmou.
Conforme afirma o documento, o objetivo geral é orientar, promover, implementar e monitorar ações coordenadas que fomentem à transição para uma economia com emissões líquidas zero de gases de efeito estufa (GEE) até 2050 e a adaptação de sistemas humanos e naturais à mudança do clima, por meio de estratégias de curto, médio e longo prazo, promovendo a justiça climática para toda a população.
Plano Clima
O Plano Clima é uma estratégia complexa, dividida em diferentes eixos, com diretrizes específicas para cada tema, como povos indígenas. A elaboração começou em 2023, conduzida pelo Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM). O processo contou com a participação de 24 mil pessoas, bem como o auxílio de estados e municípios, organizações da sociedade civil, academia, setor privado e participação popular por meio de seminários, reuniões técnicas, oficinas e webinários com gestores e especialistas em meio ambiente.
A partir disso, o documento define medidas diferentes, isto com a utilização do Plano Clima Adaptação e do Plano Clima Mitigação. Foram formuladas também Estratégias Nacionais de Adaptação de Mitigação, que são divididas em Planos Setoriais e Temáticos, e Estratégias Transversais para a Ação Climática, como o Plano Setorial de Saúde e o Plano Setorial de Energia.
Cada Plano Setorial reúne análises aprofundadas sobre sua área de atuação e, a partir disso, propõe ações alinhadas aos principais desafios identificados. Um exemplo é o Plano Setorial de Agricultura Familiar, que aponta como problemas centrais o aumento dos custos de produção e as maiores perdas de colheitas. Para enfrentar esse cenário, o documento prevê a implementação de 26 projetos de irrigação com uso de energia renovável e 110 projetos voltados a sistemas produtivos sustentáveis.
Segundo informações da Agência Brasil, a estratégia contará com financiamento do Eco Invest Brasil (investimentos privados); recursos nacionais e de cooperação global da Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica e verbas do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (Fundo Clima).
Crise climática
Conforme apontado, a crise climática é um dos maiores desafios da humanidade. Os riscos da falta de cuidado com o meio ambiente já são observados em todo o mundo, com secas sem precedentes, chuvas intensas fora do padrão, bem como ondas de calor presentes cada vez mais frequentes e intensas no dia a dia das pessoas, explica a ministra Marina Silva.
No Brasil, não é diferente. Segundo informações do Plano Clima, o país já registra aquecimento global superior a 1,5 °C em relação ao período pré-industrial, em um contexto marcado pelo avanço do desmatamento e pelo aumento de incêndios florestais. Essa situação pode levar a Floresta Amazônica ao colapso em poucos anos.

