A cada dois meses, o mercado financeiro geralmente surge com o termo “Super Quarta” e todas as atenções se voltam para as questões de juros. Mas o que é essa data e por que ela é importante?
De acordo com a XP, esse dia é caracterizado por duas decisões de política monetária: do Comitê de Política Monetária (Copom) no Brasil e a do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) nos Estados Unidos.
Ou seja, é um dia no qual tanto o Brasil quanto EUA divulgam os rumos de suas taxas básicas de juros. Em geral, a reunião do FOMC termina antes do Copom e, por representar uma das maiores economias mundiais, o resultado influencia diretamente no que os dirigentes do BC vão fazer com as taxas brasileiras.
Vale ressaltar, no entanto, que a data não é alinhada propositalmente, a Super Quarta é um evento aleatório, mas o BC e o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) promovem uma reunião de dois dias com o objetivo de avaliar, discutir e traçar perspectivas para a trajetória dos juros.
O que os juros americanos têm a ver com as taxas brasileiras?
A economia dos EUA é uma das que mais influencia os mercados globais, incluindo o Brasil. Com taxas de juros mais baixas por lá, a tendência é uma sequência de alta no cenário doméstico para controlar a inflação.
Isso porque taxas de juros baixas fomentam o desenvolvimento interno de um país. Caso os EUA sigam cortando os juros, o investimento estrangeiro americano diminui, impactando toda uma cadeia de países.
O mercado também sente incerteza e fica volátil e averso ao risco quando não há indícios do que o FOMC deve fazer. Nesse cenário, o Bacen acaba por manter os juros elevados por mais tempo.
Quando acontecem as reuniões do Copom em 2026?
- 1ª reunião: 27 e 28 de janeiro — já aconteceu, e o comitê optou por manter a Selic em 15% ao ano;
- 2ª reunião: 17 e 18 de março;
- 3ª reunião: 28 e 29 de abril;
- 4ª reunião: 16 e 17 junho;
- 5ª reunião: 4 e 5 de agosto;
- 6ª reunião: 15 e 16 de setembro;
- 7ª reunião: 3 e 4 de novembro;
- 8ª reunião: 8 e 9 de dezembro.
As atas do Copom são publicadas às 8 horas da terça-feira seguinte às reuniões do comitê.
Como funcionam as reuniões do Copom?
O Copom realiza reuniões que duram dois dias consecutivos em uma periodicidade de 45 dias, tempo estimado pelo BC como necessário para analisar os resultados de juros e inflação da economia. As informações são do BC.
Em geral, no primeiro dia, os membros do colegiado avaliam dados como nível da atividade econômica, situação do mercado de trabalho, preços das commodities, comportamento dos preços e do câmbio, entre outros.
No dia seguinte, geralmente na quarta-feira, os diretores se reúnem para definir oficialmente o rumo que a Selic deve tomar. Há apenas três opções: a taxa pode subir, cair ou permanecer igual. Todos os votos têm o mesmo peso, e a decisão do colegiado é dada pela maioria simples.
Taxas mais altas significam melhor rendimento para investimentos de renda fixa, mas mostram cenário econômico de cobranças maiores de juros, menor liberação de crédito e menos criação de empregos.
Assim que o encontro termina, normalmente entre 18h30 e 19h, o Copom divulga o seu comunicado oficial sobre a decisão. Na semana seguinte, o BC libera a Ata do Copom, com os argumentos e projeções detalhados.

