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Economia

Com guerra, custos no setor industrial podem ficar mais caros no Brasil

O fechamento do Canal de Ormuz criou volatilidade e agora pressiona investidores, aponta CNI

Com guerra, custos no setor industrial podem ficar mais caros no Brasil

As tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, além do fechamento do Canal de Ormuz, acendeu o sinal de alerta no Conselho de Infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria (Coinfra/CNI). O grupo manifestou preocupação com os desdobramentos da guerra no Oriente Médio, que, historicamente, costuma balançar cadeias produtivas essenciais e afetar desde o transporte até o fornecimento de petróleo e gás natural.

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Essa instabilidade pode não demorar para chegar aqui. A mudança dos mercados globais atinge diretamente a economia brasileira, principalmente o setor industrial. O motivo é a forma como o gás natural é precificado: boa parte dos contratos das fábricas é vinculada ao Brent (referência mundial do petróleo), enquanto o gás das termelétricas segue o JKM, índice que baliza o mercado asiático principalmente Japão e Coreia do Sul.

Repasse nos contratos

O sistema de cálculo desses contratos geralmente é trimestral, tirando uma média dos preços dos últimos 90 dias. E os números recentes não são animadores para o setor:

  • O barril do petróleo Brent já bateu a marca dos 100 dólares
  • O JKM (referência para o Japão e Coreia do Sul) deu um salto de aproximadamente 50%

Como a variação desses índices é repassada aos compradores a cada três meses, uma guerra prolongada pode criar um efeito cascata de desafios para o Brasil. Entre os pontos de maior pressão estão destacados:

  • Fertilizantes: alta nos preços, já que o gás natural é um insumo básico
  • Setores Intensivos: aumento de custos para indústrias de química, siderurgia, petroquímica, cerâmica e vidros
  • Energia Elétrica: pressão sobre a geração das termelétricas a gás

O Brasil, atualmente, possui 178 usinas desse modelo, somando cera de 19.038 MW de potência e representando 60% de toda a geração térmica e 9% da matriz elétrica total do país.

Indústria e setor elétrico são pressionados

A agência responsável pelo acompanhamento do setor também alerta para o impacto nos contratos futuros. Com o mercado de Gás Natural Liquefeito (GNL) instável, o risco aumenta para os projetos que pretendem disputar o LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade em forma de Potência).

A CNI recorda que o preço do gás no Brasil já figura entre os mais caros do planeta, o que por si só já prejudica a competitividade das nossas empresas. Com as limitações impostas pelo conflito, a tendência é que os custos subam em toda a cadeia de produção.

O calendário é apertado: diversos contratos trimestrais de gás natural devem passar por reajuste no dia 01 de maio de 2026. Caso as hostilidades no Oriente Médio não cessem, o setor industrial deve enfrentar uma forte pressão nos custos, com impactos econômicos profundos devido à sua alta dependência de gás e energia.

Na economia brasileira

Na última sexta-feira (13), O Brasilianista destacou que o mercado projetou crescimento do PIB brasileiro de 2,3% para 2026, mantendo a estimativa de fevereiro, enquanto a inflação medida pelo IPCA deve fechar o ano em 3,7%, acima da projeção anterior de 3,6%.

O ajuste reflete os efeitos do conflito no Irã, iniciado no final de fevereiro, que pressiona preços do petróleo, câmbio e juros, impactando diversos setores da economia.

O aumento da inflação esperado é de 0,14 ponto percentual, mas o choque nos preços do petróleo deve gerar efeitos positivos no PIB (+0,1 ponto), na balança comercial (+US$ 2,5 bilhões) e na receita líquida do governo (+R$ 21,4 bilhões), principalmente pela maior atividade extrativa no país.

Esse ganho se distribui para outros setores, embora seja parcialmente compensado pelo aumento dos juros.

Caso a guerra se prolongue, cenários de choque persistente indicam maior pressão inflacionária, mas também ganhos adicionais para o PIB, balança comercial e arrecadação, com risco de interrupções logísticas e destruição de infraestrutura produtiva.

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