Em funcionamento há sete décadas, o Grupo Pão de Açúcar tenta reequilibrar as contas após pedir recuperação extrajudicial para renegociar dividas bilionárias. O instrumento utilizado para evitar um cenário ainda mais grave financeiramente ocorre em meio a prejuízos adquiridos ao longo dos anos, bem como uma crise corporativa vivida no país.
Conforme noticiado anteriormente pelo O Brasilianista, a situação da empresa se agravou devido a um conjunto de fatores, que ao longo dos últimos anos ficaram incontroláveis. Atualmente, o grupo tenta pagar R$ 4,5 bilhões em compromissos financeiros e manter mais de 700 lojas físicas abertas, bem como 39 mil funcionários.
O cenário não é exclusivo da empresa. Dados do Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (Orbe) apontam que, em 2025, foram registrados 78 casos de recuperação extrajudicial, um aumento de 20% em relação a 2024. O avanço reflete a dificuldade crescente das empresas em manter as portas abertas diante de um ambiente econômico considerado cada vez mais desafiador.
Endividamento bilionário
Entre os principais fatores que ajudaram o Grupo Pão de Açúcar a chegar à crise atual está o aumento das dívidas. Em 2024 e 2025, mais de R$ 3,3 bilhões da companhia foram destinados à quitação de despesas financeiras, volume que comprometeu a geração de caixa. No último ano, os problemas financeiros ficaram ainda mais evidentes, quando a empresa registrou receita de cerca de R$ 20,6 bilhões, quantia insuficiente para o tamanho de suas responsabilidades.
Diante disso, as últimas informações sobre a situação financeira da companhia apontam que a dívida bruta total chega a cerca de R$ 4 bilhões. O movimento também tem reflexo na queda das ações da empresa, com forte queda no último ano. Segundo informações do InvestTalk, as ações do GPA acumulam baixa de 34% no ano.
Prejuízos
Os prejuízos também se intensificaram com a descontinuação de bandeiras, e consequentemente levou ao fechamento de um número crescente de lojas. Em 2021, a empresa tentou uma reestruturação após encerrar a operação de hipermercados Extra, que resultou no fechamento de 100 lojas para tentar focar em formatos considerados mais rentáveis. No 4º trimestre de 2025, foram fechadas 11 lojas do grupo.
Segundo informações da Veja, o grupo não registra lucro anual desde de 2021. Apesar de apresentar desempenho anual considerado pelo mercado como positivo, os resultados não têm sido suficientes para compensar o alto nível de endividamento, além dos custos das despesas financeiras fixas.
Juros altos no Brasil
A alta dos juros no país, que serve para controlar a inflação, também faz parte da trajetória de problemas financeiros do GPA. Com a Selic registrando seu maior patamar em 20 anos, 15%, o custo do endividamento se tornou ainda mais alto, o que intensificou a pressão sobre o caixa da empresa e pode ter diminuído ainda mais a possibilidade de reequilibrar as contas.
Empresas menores também têm passado por dificuldades. No último ano, negócios registraram R$ 213 bilhões em dívidas e inadimplência, o maior patamar já registrado, com aumento de 2 milhões de empresas no vermelho. Segundo informações do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, a elevação dos custos e as condições de créditos mais difíceis influenciaram no resultado.
Os dados apontam ainda que a empresa inadimplente possuía, em média, 7 contas negativadas, e a dívida média por Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) foi de R$ 23.818,30. O comércio é o setor mais afetado, representando 32,7% das dívidas de negócios no período.

