Publicidade
Geopolítica

Os EUA vão invadir o Brasil caso classifiquem PCC e CV como facções criminosas?

Especialista em Relações Internacionais explica como os EUA pressionam o Brasil em questões de crime organizado

Os EUA vão invadir o Brasil caso classifiquem PCC e CV como facções criminosas?

A possibilidade de intervenção militar dos Estados Unidos no Brasil entrou em discussão após debate sobre a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas pelo governo estadunidense. Uma ação direta no país pode não acontecer, mas sim pressões diplomáticas e econômicas.

Publicidade

Rodrigo Amaral, professor de Relações Internacionais da PUC de São Paulo e pesquisador do INCT/INEU, explicou para O Brasilianista que o Brasil é visto internacionalmente como um país estável e coeso politicamente, o que torna qualquer ação militar direta improvável. Segundo ele, a atuação estadunidense na América Latina se dá principalmente por vias econômicas, com sanções e pressões comerciais.

Isso pode ocorrer especialmente em períodos eleitorais, servindo como ferramenta para pressionar o país em temas de segurança pública. Quando questionado sobre a possibilidade de reversão de decisões do governo norte-americano, Amaral explicou que, diferentemente de situações anteriores envolvendo tarifas, não há um acesso direto às instâncias de decisão para alterar a inclusão de grupos como terroristas.

Ele avalia que qualquer ação nesse sentido pode depender de um esforço diplomático conduzido pelo Itamaraty, mas sem garantias de sucesso.

Eleições 2026

Amaral destacou que, no contexto do ano eleitoral no Brasil, a pressão externa dos Estados Unidos sobre o país pode se tornar mais estratégica. Ele explicou que incluir o PCC e o Comando Vermelho na lista de grupos terroristas é uma forma de criar instrumentos de pressão sobre o governo brasileiro em um período politicamente sensível.

Segundo ele, esse mecanismo permite que os EUA influenciem debates sobre segurança pública e crime organizado justamente quando o tema tem maior visibilidade e impacto na agenda de eleições de 2026.

“Vimos, por exemplo, ações militares norte-americanas nos mares do Caribe sob a alcunha de combate ao terrorismo internacional, mas não há indicação de ação direta contra o Brasil. Ainda assim, sanções e pressões externas podem ocorrer, como um mecanismo de pressão em ano eleitoral”, acrescenta o professor.

Pressão sobre crime organizado

Sobre a inclusão de grupos de crime organizado na coalizão militar Escudo das Américas, da qual o Brasil, não faz parte, Amaral observa que a medida tem função mais simbólica do que prática. Ele destaca que os Estados Unidos usam essa estratégia para pressionar os países a lidar com o crime organizado, enquanto em alguns casos a medida abre espaço para ajuda internacional, como já ocorreu no Equador.

Ele ressalta ainda que a inclusão do PCC e do Comando Vermelho como terroristas muda a percepção internacional sobre o crime organizado brasileiro, o que cria impactos potenciais e autorizando processos intervencionistas de diferentes níveis, embora não haja indicação de intervenção militar direta.

O endurecimento do combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado é o objetivo central da política externa estadunidense na América Latina desde o início do mandato de Donald Trump.

“Desde o início, Trump incluiu grupos de crime organizado de diversos países da América Central e do Norte da América do Sul e, agora, ao que tudo indica, o Brasil também entraria nessa lista. Isso muda o enquadramento do crime organizado brasileiro, somando uma dimensão de segurança internacional e autorizando processos intervencionistas de vários níveis”, explica Amaral.

Lula busca alternativas

Segundo o professor, essa estratégia mostra como há uma tensão sobre a agenda de segurança pública do governo Lula, historicamente mais voltada a políticas públicas alternativas, enquanto a direita cobra medidas de endurecimento. A pressão externa, segundo ele, afeta a forma como o Brasil lida com o crime organizado.

“É um processo simbólico e estratégico, que não busca intervenção militar, mas sim criar condições de pressão e incentivar respostas do país frente ao crime organizado, utilizando as ferramentas disponíveis da política externa americana, como sanções e medidas econômicas, mantendo o Brasil sob observação constante no contexto internacional”, conclui Amaral.

O governo brasileiro está preocupado com a possibilidade dos Estados Unidos classificarem o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas. Segundo o G1, o presidente Lula tem dialogado com líderes da Colômbia e do México para discutir o combate ao crime organizado e evitar essa classificação.

O Planalto afirmou que Lula busca ouvir chefes de Estado que enfrentaram situações semelhantes e tenta ganhar tempo nas negociações com os EUA, pedindo que qualquer decisão seja discutida diretamente entre ele e Donald Trump.

Saiba tudo sobre geopolítica em nossas redes sociais