O Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) do Banco Central concluiu que a liquidação extrajudicial de instituições integrantes do Conglomerado Master não gerou efeitos sistêmicos no âmbito do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
A reunião aconteceu em 11 e 12 de março e o documento foi divulgado nesta quinta-feira (19) pela autoridade monetária.
A fraude do Master, estimada em R$ 12 bilhões contou com uma série de instituições financeiras ligadas ao banco que tiveram suas operações encerradas, como foi o caso do Banco Master de Investimento S/A, Banco Letsbank S/A, Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários, Reag Trust, Will Financeira (Will Bank), Banco Pleno, Pleno Distribuidora Títulos e Valores Mobiliário S.A e Banco Master Múltiplo S/A.
Conforme indicado pelo O Brasilianista, o colapso no conglomerado tem se aprofundado, gerando um rombo para o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) que já chega a quase R$ 52 bilhões, o que representa a maior cobertura da história do fundo.
Segundo a ata da Comef, os mecanismos de proteção existentes associados ao FGC foram acionados conforme o modelo institucional vigente, evidenciando a capacidade de absorção de choques e a resiliência do sistema financeiro.
O plano de recomposição da liquidez do FGC foi aprovado por seu Conselho de Administração e iniciado em março de 2026.
“As medidas estabelecidas pelas Resoluções nº 5.114 e nº 5.238, de 21 de dezembro de 2023 e 1º de agosto de 2025 respectivamente, ambas do Conselho Monetário Nacional, já produzem efeitos, contribuindo para a redução do número de instituições financeiras com elevada dependência de funding garantido pelo FGC”, escreve a comissão do BC.
Como funciona o Fundo Garantidor de Crédito?
Conforme noticiado pelo O Brasilianista, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é uma empresa privada que atua na devolução de valores aplicados em instituições financeiras caso elas sejam liquidadas ou passem por falência. Com o objetivo de garantir que os clientes não tenham prejuízos, o fundo garante o ressarcimento de até R$250.000,00 para cada cliente ou empresa.
Além disso, as regras do Fundo Garantidor de Créditos estabelecem garantia de até R$250.000,00 por instituição, ou por conglomerado, que se limitam a R$1 milhão a cada quatro anos no conjunto das instituições financeiras onde o cliente mantém seus recursos.
Fatores por trás das liquidações do Master
Assim como explicou O Brasilianista, o Banco Master foi liquidado em novembro do ano passado sob decisão do Banco Central. Em sua justificativa, a entidade monetária brasileira afirmou que a instituição não possuía mais recursos para cumprir compromissos financeiro, além de ter descumprindo normas estabelecidas. A crise resultou também na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, que está sendo investigado por fraudes financeiras em carteiras de crédito.
Em janeiro de 2026, o Will Bank deixou de funcionar em mecanismo de Regime Especial de Administração Temporária (RAET), que havia sido determinado pelo Banco Central, para ser liquidado. A decisão foi tomada pela situação econômico-financeira da instituição, assim como pelo descumprimento de uma ordem, que diz respeito à grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard.
O Banco Pleno teve a interrupção do funcionamento motivada também pela falta de condição econômico-financeira, assim como deterioração da sua situação de liquidez, afirmou o BC em decisão. Com isso, a entidade também decidiu tornar indisponíveis os bens dos controladores e dos administradores da instituição.
“O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos administradores da instituição objeto da liquidação decretada”, afirmou nota do BC.
Cenário financeiro internacional em estabilidade
Ainda de acordo com a Comef, o sistema financeiro internacional tem demonstrado resiliência, apesar da incerteza da política econômica permanece elevada, e a materialização recente de riscos geopolíticos
ter aumentado a volatilidade nos mercados.
“Até o momento, os efeitos concentram-se nos preços de commodities, sem contágio em mesma proporção para outros ativos financeiros. O regime de câmbio flutuante segue absorvendo choques e o sistema financeiro internacional segue em realocação ordenada de posições”, diz a nota.

