Os Estados Unidos estão injetando cerca de meio bilhão de dólares por dia na guerra contra o Irã. As informações são do The Guardian com base em analistas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).
Uma semana após as forças americanas e israelenses iniciarem seu ataque ao Irã, funcionários do Pentágono informaram a parlamentares, em uma reunião fechada, que o custo da guerra já havia ultrapassado US$ 11,3 bilhões apenas nos primeiros seis dias.
Além disso, acredita-se que mais de 3.000 pessoas tenham sido mortas em todo o território iraniano até o momento nos 15 mil alvos atingidos no país, de acordo com o Pentágono. Ainda, o Estreito de Ormuz o principal canal de petróleo do mundo está praticamente fechado, o que traz problemas logísticos e energéticos globalmente.
Fontes ouvidas pelo The Guardian ainda afirmaram que os gastos não recaem apenas à munições, mas também forças mobilizadas para a região, despesas médicas e a substituição de aeronaves militares perdidas em combate.
No sexto dia de conflito, o CSIS estimou o custo acumulado em US$ 12,7 bilhões. Depois de quase vinte dias, é provável que já tenha ultrapassado US$ 18 bilhões.
Vale destacar que as primeiras horas da guerra foram dominadas por algumas das armas mais caras do arsenal americano, utilizando mísseis de longo alcance, interceptores de mísseis balísticos e sistemas de radar.
Custos políticos para Trump
A guerra iniciada pelos Estados Unidos contra o Irã pode impor diversos e graves custos políticos ao presidente Donald Trump, segundo analistas entrevistados pelo g1.
O tempo de conflito ainda está indeterminado, à medida em que as forças iranianas resistem. Ao mesmo tempo, os preços do petróleo disparam e já alcançam a casa dos US$ 100 por barril.
Para Trump, o cenário é delicado: ele busca maneiras de arrefecer a alta do petróleo enquanto acalma os eleitores americanos que devem escolher novos parlamentares em novembro. A expectativa é de que o preço da gasolina suba e a guerra permaneça entre os americanos.
No entanto, o humor dos eleitores está se deteriorando, de acordo com Denilde Holzhacker, professora de relações internacionais da ESPM, em entrevista ao g1. Para ela, Trump tenta transmitir a mensagem de que a guerra vai acabar, que o Estreito de Ormuz será controlado, mas não há qualquer fundamento para essa afirmação.
O Estreito de Ormuz é o único canal que liga a passagem de petróleo do Golfo ao Oceano Índico. Isso significa que os navios petroleiros que circulam na região transportam diariamente cerca de 30% do consumo total da commodity.
Desde o início dos conflitos, em fevereiro, o Irã bloqueia a passagem, o que afeta diretamente a demanda e o preço do petróleo.
Os EUA terão, em novembro, eleições de meio de mandato, em que os estadunidenses devem escolher novos governadores, 435 cadeiras da Câmara e 35 do Senado. O momento é decisivo para entender se Trump terá o apoio necessário nas duas Casas Legislativas, visto que atualmente os republicanos — partido de Trump — dominam as casas.
Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, explicou, também ao g1, que a alta do petróleo ocorre em um momento especialmente desfavorável para o governo americano. Isso porque o republicano estava tentando manter a narrativa de economia forte e energia mais barata no mercado interno.

