A troca no comando do Ministério da Fazenda acontece em um momento delicado para a economia brasileira. Com a saída de Fernando Haddad, confirmada para esta semana, o atual secretário-executivo Dario Durigan assume a pasta diante de desafios que envolvem juros elevados, pressão nos preços dos combustíveis e dificuldades para equilibrar as contas públicas.
Segundo oInfoMoney, a mudança foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que indicou Durigan para dar continuidade à agenda econômica em meio a um ambiente de incertezas internas e externas. O novo ministro chega ao cargo com um Orçamento limitado por despesas obrigatórias e com a necessidade de negociar medidas no Congresso, que tende a reduzir o ritmo em ano eleitoral.
O contexto atual exige cautela. A taxa básica de juros, a Selic, está em 14,75% ao ano, patamar elevado que encarece o crédito e influencia diretamente o ritmo da economia. Ao mesmo tempo, fatores externos ampliam a pressão inflacionária, especialmente com a alta do petróleo no mercado internacional, que impacta os preços dos combustíveis no Brasil.
Transição ocorre após gestão marcada por avanços e limitações
A saída de Haddad ocorre depois de mais de três anos à frente da Fazenda. Nesse período, houve crescimento econômico acima do esperado e inflação controlada dentro do intervalo da meta em parte do tempo, mas a condução das contas públicas enfrentou críticas.
De acordo com o G1, um dos principais entraves da gestão foi a dificuldade em conter o avanço das despesas obrigatórias. Mesmo com medidas para elevar a arrecadação, o controle dos gastos não avançou no ritmo esperado, o que manteve a pressão sobre o orçamento.
O resultado fiscal de 2023 foi negativo, com déficit elevado, seguido por uma melhora no ano seguinte. Ainda assim, mudanças em metas fiscais e decisões que ampliaram gastos geraram instabilidade na percepção de investidores.
Esse cenário fiscal, ainda sensível, passa agora para as mãos de Durigan, que terá de lidar com uma dívida pública em crescimento e com a necessidade de preservar a credibilidade da política econômica.
Pressões externas e juros altos moldam o cenário
O ambiente internacional tem papel relevante no quadro atual. Tensões geopolíticas recentes contribuíram para a elevação dos preços do petróleo, o que repercute diretamente no custo dos combustíveis e no transporte de mercadorias.
Esse movimento tende a impactar a inflação, o que ajuda a explicar a postura mais cautelosa do Banco Central em relação à redução dos juros. Mesmo com pressões por cortes, o nível atual da Selic reflete a preocupação em evitar novas altas de preços.
Com isso, a economia enfrenta um efeito combinado. O crédito mais caro limita o consumo das famílias e reduz o fôlego das empresas para investir, enquanto o aumento dos custos operacionais afeta diferentes setores.
Agenda econômica segue aberta e com desafios políticos
Além do cenário macroeconômico, o novo ministro também assume uma agenda ainda incompleta. Entre os temas pendentes estão propostas de ajuste fiscal e mudanças estruturais que dependem de aprovação no Congresso.
Medidas como a limitação de supersalários, a reforma da previdência dos militares e a regulamentação de grandes empresas de tecnologia seguem em discussão. Também está prevista a regulamentação do Imposto Seletivo, criado na reforma tributária.
Apesar das dificuldades, a gestão anterior deixou avanços importantes, como a aprovação da reforma tributária sobre o consumo, considerada um marco após anos de debate. No entanto, especialistas apontam que ainda há etapas relevantes a serem implementadas.

