Com o prazo de atividades próximo ao fim, o relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pode ser entregue e votado na próxima semana. Entretanto, a previsão pode passar por mudanças caso seja aprovado um pedido de prorrogação dos trabalhos da comissão, realizado pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG).
Durante entrevista à imprensa, o presidente do colegiado expôs a data, mas afirmou que aguarda a decisão sobre o mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para solicitar a continuidade dos trabalhos da comissão. Carlos Viana afirma que tem esperança no adiamento dos trabalhos do colegiado, conforme informações da Agência Câmara.
“Se o mandado de segurança que impetramos resultar em uma negativa por parte do Supremo Tribunal Federal, do ministro André Mendonça, naturalmente na semana que vem, por força de lei e de prazo, teremos de partir para a leitura do relatório, ainda que parcial, e para a tentativa de aprovação do texto até no final da próxima semana”, afirmou o presidente da CPMI.
Esperança de ouvir Daniel Vorcaro
Em defesa da continuidade da CPMI do INSS, Carlos Viana afirmou que existe a necessidade de ouvir o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, envolvido em fraudes financeiras. Além disso, o relator apontou como importante também o depoimento de Fabiano Zettel, preso por possível lavagem de dinheiro. Ambos são suspeitos de ter participado de crimes que desviaram milhões de reais de aposentados e pensionistas do INSS.
“Trazer Daniel Vorcaro à CPMI é uma questão pessoal, é uma questão de honra, porque estava acertado que ele viria, mas ele acabou sendo preso. Entendo que precisamos trazer o senhor Daniel Vorcaro e o senhor Fabiano Zettel para que eles possam esclarecer ao povo brasileiro todos esses detalhes. Eles vão responder às perguntas, se desejarem, porque ficar em silêncio é um direito constitucional, mas eu quero que eles venham”, defendeu Carlos Viana.
CPMI do INSS
A CPMI do INSS foi instaurada em agosto de 2025 para investigar um esquema de fraudes que realizava descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas. Segundo informações da Agência Senado, os esquemas teriam descontado indevidamente cerca de R$ 6,3 bilhões dos benefícios previdenciários no período de 2019 a 2024.
Os trabalhos envolveram a convocação de autoridades, representantes de entidades, além de gestores da Previdência Social de 2015 a 2025. Logo no início dos trabalhados, foram apresentados 448 requerimentos, que envolviam a convocação do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi, do atual gestor da pasta, Wolney Queiroz, e do presidente do INSS, Gilberto Waller.
Principais ações da CPMI do INSS
Conforme noticiado pelo O Brasilianista, logo no início das investigações, o grupo ouviu familiares de Antônio Carlos Camilo Antunes. Em setembro, a comissão também colheu o depoimento de Antônio Carlos, conhecido como Careca do INSS, que, mesmo preso, negou envolvimento no esquema. Ele é acusado de ser um dos principais articuladores das fraudes investigadas.
Um dos movimentos da comissão que mais gerou interesse público foi a aprovação de 87 requerimentos em bloco, incluindo pedidos de quebra de sigilos bancário e fiscal de Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula, por possível recebimento de R$ 300 mil do Careca do INSS. Entretanto, a quebra foi impedida pelo Supremo Tribunal Federal e, recentemente, o presidente Carlos Viana disse não haver confirmação sobre o possível recebimento.

