O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou Dario Durigan para o comando do Ministério da Fazenda, em substituição a Fernando Haddad, que deixa a pasta em busca de fortalecer o palanque do atual governo nas eleições de 2026. As mudanças no comando da equipe econômica ocorrem em meio a instabilidade sobre o valor do diesel e às expectativas do setor empresarial brasileiro em relação aos rumos da política fiscal do país.
Especialista ouvido pelo O Brasilianista aponta que a chegada de Dario Durigan pode ser positiva para o setor privado já que o novo ministro segue o pensamento de Fernando Haddad. Além disso, há expectativas de que o novo ministro possa ser visto com mais positividade pelo Congresso Nacional, ponto fundamental para a aprovação de pautas importantes no Ministério da Fazenda.
O que esperar da nova gestão?
O economista Newton Marques explica que dificilmente Dario Durigan deve fazer mudanças drásticas levando em conta a sua chegada em meio a um ano eleitoral. Sobre a preocupação em relação à alteração de tributações, o especialista afirma que esse tipo de mudança tem a necessidade de uma estratégia de política macroeconômica aprofundada, caminho que não deve ser percorrido no momento.
“Todas as vezes que a gente pensa em alterar a parte de tributação das empresas, isso tem que fazer parte de um de uma estratégia de política macroeconômica. E isso parece que não tem acontecido, senão já teria sido feito na gestão do ministro Fernando Haddad. Acredito que Dario Durigan não deva fazer nenhuma pirotecnia por conta disso”, diz Marques.
Diante disso, o que deve acontecer é que a gestão continue com as mesmas prioridades definidas anteriormente, no caso, o cumprimento das metas fiscais a partir do aumento da arrecadação. Ainda de acordo com Newton Marques, o governo enfrenta limitações para aumentar impostos no mesmo exercício, mas pode fazer ajustes imediatos em tributos regulatórios, como os realizados para impedir os aumentos do preço do diesel e derivados de petróleo.
Ainda sobre a questão eleitoral, a economia é uma das áreas consideradas mais relevantes na análise de um governo. Nesse contexto, entende-se que o presidente Lula não se colocaria em risco ao promover uma mudança no comando da pasta sem garantias de estabilidade, avalia o economista. “Durigan vem sendo orientado e preparado já há algum tempo e, obviamente tudo vai depender do que o presidente Lula e seus assessores considerem necessário. É um ano importante, um ano eleitoral, e se o presidente Lula tentar a reeleição vai precisar de uma atuação muito firme do ministro da Fazenda”.
Esforços no Congresso
Fernando Haddad deixa ao novo ministro a missão de viabilizar a aprovação de pautas econômicas do governo no Congresso Nacional. Segundo o especialista, nesse momento, Dario Durigan precisará ter um bom trânsito político para garantir o avanço das medidas propostas pelo governo federal, que dependem do aval dos parlamentares da oposição, além de atuar para que iniciativas do próprio Congresso não alterem de forma substancial a atual política fiscal.
A recomendação é que o setor privado mantenha a atenção às ações do governo até o fim do atual mandato e, conforme os resultados das eleições, reavalie o cenário de forma mais estruturada, diante das incertezas que podem impactar o mercado.

