Em um movimento cada vez mais preocupante, a confiança dos brasileiros no Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta desgaste crescente, atingindo um dos piores níveis já registrados na história. Recentemente, a Pesquisa da AtlasIntel identificou que a desconfiança em relação à Corte chegou a 60%, resultado que pode ter sido influenciado pela repercussão das investigações do caso Banco Master, escândalo financeiro com desdobramentos tanto políticos quanto judiciais.
De acordo com a pesquisa, o aumento da desconfiança está associado a contexto de desgaste institucional acumulado, movimento que se agravou pela associação do STF ao escândalo do Banco Master. A Corte, que já vinha sendo alvo de críticas por decisões controversas e protagonismo político, passou a enfrentar questionamentos ainda mais fortes relacionados à sua integridade e imparcialidade em suas decisões.
Caso Master
O caso Banco Master ganhou força nacional no fim de 2025 ao envolver investigações sobre fraudes bilionárias no sistema financeiro. As investigações se tornaram ainda mais importantes para o interesse publico após identificarem possíveis conexões com autoridades públicas, incluindo integrantes do Judiciário. Imediatamente, o caso passou do campo econômico e passou a afetar diretamente a percepção pública sobre instituições centrais da República.
O caso Banco Master é considerado uma das maiores fraudes financeiras da história recente do país, com suspeitas de manipulação de ativos, corrupção e lavagem de dinheiro. Investigações da Polícia Federal apontam a existência de uma organização estruturada para fraudar o sistema financeiro e influenciar decisões institucionais.
Conforme apontado, possíveis conexões entre o banco e figuras ligadas ao STF foram expostas por meio de reportagens, situação que levantou ainda mais dúvidas sobre possíveis conflitos de interesse da instituição. Entre os episódios mais sensíveis estão relações contratuais envolvendo familiares de ministros, bem como movimentações atípicas dentro de processos judiciais relacionados ao caso.
Analistas políticos entendem que o impacto do escândalo vai além dos números da pesquisa. A crise atual reforça a percepção de que o STF enfrenta um desgaste semelhante ao que já atingiu outras instituições, como as Forças Armadas em momentos recentes. A avaliação é que a Corte estaria sendo submetida a um “remédio amargo”: maior escrutínio público e perda de capital simbólico.
Conforme noticiado pelo O Brasilianista, a pesquisa identificou que 66,1% dos entrevistados acreditam que houve envolvimento direto de ministros do STF no episódio do Banco Master. Os resultados apontam ainda que 59,5% dos brasileiros avaliam que a maioria dos ministros não demonstra competência e neutralidade, o que reforça todos os pontos expostos até agora. Cerca de terço consideram o desempenho positivo.
“A autoridade dos tribunais está ligada a três elementos fundamentais: independência, imparcialidade e capacidade de decidir com objetividade. Quando você questiona um dos pilares da autoridade do Supremo, que é a sua imparcialidade, ou seja, sua equidistância em relação às partes, evidentemente isso afeta a confiança”, explica o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Oscar Vilhena, sobre a desconfiança dos brasileiros quanto ao STF.
Especialistas apontam também que a legitimidade do STF depende não apenas de suas decisões, mas também da credibilidade percebida pela sociedade. Diante desse cenário, há pressões por maior transparência, autocontenção e revisão de práticas internas.

