A semana começa com uma combinação de expectativas positivas e riscos elevados no cenário econômico. No centro das atenções está o novo leilão do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, que pode marcar uma virada na agenda de concessões do governo federal.
Previsto para o próximo dia 30 na B3, o certame deve gerar arrecadação de até R$ 1,5 bilhão, com ágio expressivo sobre o valor mínimo estipulado. Segundo técnicos do Ministério de Portos e Aeroportos, há confiança na competitividade da disputa, que atrai grandes operadores internacionais. Entre os interessados estão o atual concessionário RIOgaleão, além de grupos como a suíça Zurich Airport e a espanhola Aena (O Globo).
O novo modelo de concessão, mais flexível e simplificado, surge após ajustes negociados com o Tribunal de Contas da União e a Agência Nacional de Aviação Civil, numa tentativa de evitar os problemas que marcaram a concessão original, ainda no governo de Dilma Rousseff (O Globo).
Agências bancárias
Enquanto isso, o setor financeiro passa por uma transformação estrutural. O número de agências bancárias no Brasil caiu 37% na última década, reflexo direto da digitalização acelerada e de estratégias de corte de custos. Segundo dados com base no Banco Central, quase metade dos municípios brasileiros já não conta com atendimento presencial, afetando milhões de pessoas, especialmente em regiões mais vulneráveis (Folha de S.Paulo).
No campo institucional, o caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro ganha novos contornos e pode ampliar a crise entre os Poderes. A atuação conjunta da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República em uma possível delação é vista como um fator que fortalece juridicamente o processo, mas também pode gerar divergências internas nas negociações (Valor Econômico). Em paralelo, o Ministério Público do Trabalho investiga possíveis retaliações dentro da Caixa Asset, ligada à Caixa Econômica Federal, em um episódio que antecede a liquidação do Banco Master (Estadão).
No front fiscal, chama atenção o avanço das aposentadorias especiais no Brasil. Em 2024, quase 40% dos benefícios concedidos pelo Regime Geral de Previdência Social foram nessa modalidade, percentual bem acima do observado em países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Valor Econômico). O dado reacende o debate sobre sustentabilidade das contas públicas.
Oriente Médio
No cenário internacional, a escalada de tensões no Oriente Médio adiciona volatilidade aos mercados. O Irã ameaçou manter fechado o estratégico Estreito de Ormuz, em meio a confrontos indiretos com os Estados Unidos sob liderança de Donald Trump. O impasse já pressiona os preços do petróleo e provoca uma reprecificação global dos ativos de renda fixa, com investidores revisando expectativas para juros em diversas economias (Valor Econômico).
Os efeitos já são sentidos no Brasil. A disparada do petróleo impacta diretamente o agronegócio, elevando custos de diesel, fertilizantes e fretes. Produtores relatam aumentos expressivos nos insumos, enquanto cresce o risco logístico diante de possíveis interrupções em rotas comerciais (Estadão). No Rio Grande do Sul, a escassez de diesel já atinge serviços públicos em dezenas de municípios, que passaram a racionar combustível, priorizando áreas essenciais como saúde e educação (O Globo).
Apesar das turbulências, há também movimentos estratégicos de longo prazo. A ApexBrasil e o Instituto Brasileiro de Mineração intensificam a promoção internacional de projetos ligados a minerais críticos, com potencial de US$ 5,5 bilhões em investimentos. A aposta é posicionar o Brasil como fornecedor relevante para cadeias globais de tecnologia e defesa (Valor Econômico).
STF
Por fim, no campo jurídico, o Supremo Tribunal Federal caminha para manter restrições à compra de terras por empresas controladas por estrangeiros, em decisão que envolve argumentos de soberania nacional e pode influenciar o fluxo de investimentos no setor agropecuário (Estadão).

