Em entrevista exclusiva à Arko Advice, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), tratou da relação entre os Poderes e das investigações recentes no país. Em tom firme, o pré-candidato à presidência afirmou que o Supremo Tribunal Federal precisa, se necessário, “cortar a própria carne” para preservar sua credibilidade diante da população.
Para Caiado, cabe à própria Corte fazer uma análise profunda de eventuais questionamentos internos e dar respostas claras à sociedade. “O Supremo deveria dar uma resposta à população, fazendo uma análise de todos os dados e fazendo aquilo que, se for necessário, muitas vezes se chama ‘cortar a própria carne’”, afirmou.
O governador sustenta que, diferentemente do Legislativo, onde há pressão direta entre pares em casos de escândalos, o Judiciário opera de forma mais fechada, o que, na sua avaliação, aumenta a responsabilidade institucional de transparência e autocorreção.
Trajetória como ativo político
Ao ser questionado sobre as diferenças em relação a outros nomes do PSD que também se colocam no cenário presidencial, como Ratinho Júnior e Eduardo Leite, Caiado evitou comparações diretas, mas fez questão de destacar sua trajetória.
Ele relembrou sua atuação histórica na defesa do agronegócio, ainda nos anos 1980, quando o setor, segundo ele, era marginalizado no debate público. Citou a participação na fundação da União Democrática Ruralista (UDR) e sua candidatura à Presidência em 1989, além de cinco mandatos como deputado federal, um como senador e dois como governador.
Caiado também enfatizou a coerência política e a ausência de envolvimento em escândalos como diferenciais. “Nunca oscilei”, disse, ao destacar que sempre manteve as mesmas posições ao longo da vida pública.
Segurança e gestão em Goiás
Outro ponto central da entrevista foi a defesa dos resultados de sua gestão em Goiás. O governador afirmou ter promovido uma transformação significativa na segurança pública do estado, que, segundo ele, já figurou entre os mais violentos do país.
Caiado citou a redução de crimes, o enfrentamento ao chamado “novo cangaço” e a melhora na sensação de segurança da população. Também destacou avanços em educação, programas sociais e infraestrutura digital, como a expansão da fibra óptica e investimentos em inteligência artificial.
CPI do Banco Master e independência
Sobre a possibilidade de investigação envolvendo o Banco Master, Caiado afirmou apoiar a instalação de uma CPI ou CPMI. Ele ressaltou sua atuação em momentos críticos do Congresso como prova de independência.
Segundo o governador, sua trajetória demonstra disposição para enfrentar crises e defender apurações rigorosas, sem recuos. “Nunca me escondi de nenhuma CPI”, afirmou. Ainda assim, fez uma ponderação institucional ao lembrar que, em determinados casos, cabe ao Senado Federal exercer o papel de instância julgadora, conforme previsto na Constituição.

