A recuperação judicial do Grupo Fictor é um beco sem saída, segundo os documentos do processo e especialistas na área falimentar ouvidos por O Brasilianista. A dívida registrada pela companhia na Justiça de São Paulo totaliza R$ 4 bilhões, e essa falta de opções resulta da dificuldade de credores encontrarem bens da empresa individualmente.
Advogados que atuam com recuperação judicial e falência afirmaram que a documentação apresentada pela empresa é frágil, mas que a decretação da falência sem antes passar pelo processo de restrturação não é prevista em lei.
Esses especialistas também destacaram que o caminho que está sendo seguido é mais seguro para os credores do que as execuções individuais, pois as pessoas físicas e jurídicas com dinheiro a receber da Fictor não têm as mesmas ferramentas de busca de patrimônio que o Ministério Público e o adminsitrador judicial.
“Se a falência da Fictor for decretada no futuro, o Ministério Público ou administrador judicial terão à mão os sitemas Sniper e Simba”, disse um dos advogados ouvidos sob condição de anonimato.
Os rombos da Fictor

Os documentos apresentados pela perícia no processo de recuperação judicial da Fictor mostram que a saúde financeira do grupo foi mantida artificialmente por meio de transferência entre 43 empresas da holding.
Os prejuízos acumulados pela Fictor Holding Financeira em 2025 totalizaram R$ 12,6 milhões, enquanto o caixa da companhia tinha R$ 385 à disposição. Segundo a perícia, o saldo de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital (AFAC), que era de R$ 23,3 milhões em 2025, e as operações entre as empresas do grupo, que totalizaram R$ 3,3 milhões, “representam a quase totalidade da alocação de recursos”.
De acordo com os peritos, essa equação “justifica a nulidade de caixa para o cumprimento das obrigações correntes” e a “prática configura o esvaziamento da liquidez operacional em favor de entes coligados”.
A Fictor no Caso Master

A Fictor entrou no Caso Master ao tentar comprar o banco de Daniel Vorcaro um dia antes da operação que prendeu o banqueiro pela primeira vez. A tentativa de compra foi feita logo após ruirem as negociações para o banco de Brasília adquir a instituição financeira de Vorcaro, liquidada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025.
A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) suspeitam que a compra frustrada do Master pela Fictor foi uma cortina de fumaça para esconder a falta de liquidez do banco de Vorcaro. O Brasilianista já mostrou que a instituição financeira usava empresas de fachada e aportes de fundos previdenciários de servidores públicos para manter seu funcionamento.

