A agenda econômica brasileira entra em uma semana decisiva, marcada por mudanças no comando da equipe econômica, pressão nos combustíveis e efeitos crescentes da instabilidade internacional. Ao mesmo tempo, o governo busca preservar o equilíbrio fiscal e responder a crises que atingem setores estratégicos.
O novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, iniciou sua gestão promovendo mudanças na equipe. Ele escolheu Rogério Ceron para a secretaria-executiva da pasta e indicou Daniel Leal para o comando do Tesouro.
Segundo a Folha de S.Paulo, Durigan destacou o papel de Ceron na construção do novo arcabouço fiscal, peça central da política econômica do governo Lula para substituir o teto de gastos.
Diesel no centro da crise e risco para alimentos
O abastecimento de diesel se tornou uma das principais preocupações. Importadores avaliam que o subsídio de R$ 0,32 por litro anunciado pelo governo não é suficiente para reativar compras externas, devido à defasagem de preços frente ao mercado internacional, segundo a Folha de S.Paulo.
A situação é agravada pela disparada do petróleo após a guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. De acordo com O Globo, já há relatos de escassez em regiões agrícolas, com risco de impacto direto no escoamento da produção e possível alta nos preços de alimentos, especialmente milho e carnes.
Governo estuda pacote emergencial e crédito bilionário
Diante do cenário, o governo prepara uma nova fase do programa de apoio à economia. O chamado “Plano Brasil Soberano 2” pode incluir até R$ 15 bilhões em crédito para setores afetados pela crise internacional e por tarifas comerciais, conforme o Valor Econômico.
Entre as medidas em análise está o aumento da subvenção ao diesel, numa tentativa de conter a pressão inflacionária e garantir o abastecimento.
Trégua no Irã alivia mercados, mas incerteza permanece
No cenário externo, o anúncio de uma trégua temporária nos ataques a instalações energéticas no Irã pelo presidente Donald Trump trouxe alívio aos mercados.
Segundo O Estado de S. Paulo, as bolsas reagiram positivamente e o preço do petróleo caiu abaixo de US$ 100 o barril. Ainda assim, analistas apontam que a volatilidade deve continuar elevada.
Ajuste fiscal: bloqueio de gastos no radar
Internamente, o governo divulga o primeiro relatório bimestral de receitas e despesas sob pressão do aumento de gastos obrigatórios. A expectativa é de bloqueio de despesas e não contingenciamento para cumprir o limite fiscal, com valor inferior a R$ 10 bilhões, de acordo com o Valor Econômico.
Infraestrutura e saneamento ganham nova rodada de investimentos
No campo estrutural, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) prepara um novo ciclo de concessões de saneamento, com foco nas regiões Norte e Nordeste.
Projetos em estruturação podem superar R$ 80 bilhões em investimentos, ainda segundo o Valor Econômico, reforçando a agenda de universalização do serviço até 2033.
Crise no sistema financeiro amplia incertezas
O caso envolvendo o Banco Master continua gerando desdobramentos. A Controladoria-Geral da União abriu processo contra ex-integrantes do Banco Central do Brasil por suspeitas de favorecimento à instituição, segundo a Folha de S.Paulo.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro segue no centro das investigações, com decisões judiciais bloqueando bens de alto valor para garantir ressarcimento de credores, conforme o O Estado de S. Paulo.
Além disso, disputas envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e seu plano de capitalização foram parcialmente barradas pela Justiça, aumentando a pressão sobre o sistema financeiro regional.
Nova regulação ferroviária em preparação
Por fim, o governo avança na reformulação das regras do setor ferroviário. A proposta prevê a criação de um conjunto mais enxuto de normas para substituir dezenas de atos regulatórios hoje dispersos, segundo a Folha de S.Paulo. A medida busca dar mais previsibilidade ao setor e destravar investimentos em infraestrutura logística.

