Os empresários da indústria da construção preveem uma queda no emprego e menor avanço dos empreendimentos e serviços do setor nos próximos seis meses, de acordo com a Sondagem Indústria da Construção, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), na última segunda-feira (23).
É o que observa os resultados após todos os indicadores caírem: o índice de expectativa de número de empregados recuou 2,3 pontos, para 49,5 pontos. Já o de expectativa de novos empreendimentos e serviços recuou 1,5 ponto, atingindo 49,7 pontos.
Nos dois casos, os índices ficaram abaixo da linha divisória de 50 pontos, que mede o otimismo ou pessimismo do mercado. De acordo com o CNI, o relatório revela que os empresários da construção deixaram de esperar crescimento.
Atividade e consumo em risco também
O índice de expectativa de nível de atividade, por sua vez, recuou 0,8 ponto, se estabelecendo em 51,3 pontos, próximo à faixa de estabilidade. Esse resultado mostra que há menores perspectivas em relação à atividade do setor nos próximos meses, enquanto a compra de insumos e matérias-primas deve se tornar moderada.
15º mês consecutivo de pessimismo no setor de construção
Em meio ao aumento do pessimismo, a intenção de investimento no setor também caiu pelo segundo mês consecutivo, passando de 42,9 pontos para 42,1 pontos.
Os empresários da construção chegaram ao 15º mês consecutivo sem confiança. Entre fevereiro e março de 2026, o índice que mede a confiança desses industriais caiu 2,1 pontos, para 46,5 pontos.
Para os empresários do setor, tanto as condições atuais das empresas e da economia quanto as perspectivas para os próximos meses são negativas.
Condições econômicas desfavoráveis
O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu cortar a taxa básica de juros e fixou a Selic em 14,75% ao ano. A medida foi tomada em um contexto de maior instabilidade global e diante de sinais de desaceleração da economia brasileira, mantendo o foco no controle da inflação.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que a medida é correta, mas insuficiente para interromper a queda da atividade econômica, visto que não destrava investimentos, nem reduz o endividamento — sintomas da política monetária excessivamente restritiva.
“A inflação está em franca desaceleração e as expectativas de mercado para a alta dos preços seguem dentro do intervalo de tolerância da meta. Isso, por si só, já justificaria queda mais acentuada da taxa básica de juros. Essa cautela do Banco Central ainda é excessiva e seguirá penalizando ainda mais nossa economia”, alertou o presidente da CNI, Ricardo Alban, em nota.
Para Alban, o BC deve intensificar a magnitude dos cortes na Selic já na próxima reunião do Copom, prevista para o fim de abril.
“Isso é necessário para viabilizar melhores condições de investimento às empresas, reduzir o endividamento das famílias e recolocar a economia em trajetória de crescimento. A flexibilização mais expressiva dos juros não é apenas desejável: trata-se de condição imprescindível para recuperar a produtividade nacional e o bem-estar social”, continua.

