A quebra do Banco Master provocou um efeito dominó no sistema financeiro e atingiu diretamente a Mastercard, que teve de arcar com bilhões de reais em transações não liquidadas de cartões ligados à fintech Will Financeira. O impacto levou a empresa a buscar agora a recuperação desses valores junto ao processo de liquidação conduzido sob supervisão do Banco Central do Brasil.
Segundo a Bloomberg Línea, a Mastercard assumiu parte significativa das perdas após a falência da instituição, já que era responsável pela bandeira dos cartões emitidos pela fintech associada ao banco. A situação expôs fragilidades no modelo de garantias do sistema de pagamentos e abriu uma disputa sobre quem deve absorver os prejuízos.
O rombo está ligado a compras realizadas por clientes antes e logo após a intervenção no banco. Estima-se que havia até R$ 5 bilhões em transações pendentes no momento do colapso, o que elevou a pressão sobre os envolvidos na cadeia de pagamentos.
Responsabilidade pelas perdas entra em debate
Com a liquidação do banco, a Mastercard acabou cobrindo cerca de metade desse valor, principalmente referente às operações realizadas nos primeiros 30 dias após a quebra. Esse tipo de obrigação segue regras específicas do sistema financeiro, que determinam a continuidade dos pagamentos aos varejistas mesmo diante da inadimplência do emissor dos cartões.
A empresa confirmou que realizou os repasses exigidos pela regulamentação, utilizando em grande parte recursos próprios. Agora, aguarda que o responsável pela liquidação devolva os valores à medida que os clientes quitarem suas dívidas.
Nos bastidores, porém, o cenário é mais complexo. Empresas credenciadoras, responsáveis por intermediar pagamentos no varejo, defendem que a Mastercard deveria assumir uma fatia maior das perdas. Esse entendimento ampliaria o impacto financeiro para a bandeira e pode gerar disputas regulatórias, conforme explica o Valor Econômico.
Ativos e garantias entram no radar
Para reduzir os prejuízos, a Mastercard também tenta acessar ativos que haviam sido apresentados como garantia pela fintech. Entre eles estão participações em empresas como o Banco de Brasília e a Westwing, ambas ligadas ao grupo do banco.
Parte dessas ações já foi vendida, o que indica um movimento para recuperar liquidez diante das perdas. A Mastercard chegou a deter uma fatia relevante do capital do banco regional, que também passou a ser observado com mais cautela pelo mercado após sua relação com o Banco Master.
Esse processo de execução de garantias é comum em casos de inadimplência, mas nem sempre cobre integralmente os prejuízos, o que mantém a disputa aberta.
Queda do banco amplia efeitos no mercado
O colapso do Banco Master ocorreu em meio a acusações de fraude e levou à prisão do ex-presidente Daniel Vorcaro, que posteriormente firmou acordo de colaboração com autoridades. O episódio abalou a confiança em operações ligadas ao banco e ampliou o alcance da crise.
A fintech Will Bank, adquirida em 2024, operava principalmente no segmento de crédito para consumidores de menor renda. Nos meses que antecederam a quebra, a Mastercard já havia começado a restringir a atuação da empresa em sua rede.
Sem garantias suficientes, o sistema da bandeira bloqueou a fintech e a liquidação ocorreu logo em seguida. O movimento antecipou o desfecho da crise, mas não evitou o acúmulo de operações pendentes.
Regulação pode redefinir responsabilidades
Uma nova regra do Banco Central busca esclarecer quem deve assumir riscos em casos de falência de emissores de cartões. A medida tende a reduzir incertezas no futuro, mas ainda gera divergências na aplicação prática.
Executivos da Mastercard argumentam que a empresa não deveria ser enquadrada imediatamente nessa nova norma, já que o prazo de adaptação ainda está em andamento. Esse ponto pode se tornar central nas discussões sobre o caso.

