A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados promove, nesta terça-feira (24), uma audiência pública destinada a examinar a extinção da escala 6×1 e a mitigação da jornada laboral no país, conforme relatado pela Agência Câmara.
O encontro está agendado para esta tarde, às 14h no plenário I. O foco é na aprovação da PEC 8/25, de autoria da deputada Erika Hilton, e da PEC 221/19, formulada pelo deputado Reginaldo Lopes.
De acordo com o relator das matérias, deputado Paulo Azi, o debate externa as metamorfoses causadas pela evolução tecnológica e pelo anseio de elevar o bem-estar dos profissionais, sublinhando a relevância de colher percepções de empregadores, trabalhadores e peritos acerca das repercussões sociais, culturais e financeiras de tais alterações.
Na lista de convidados para o debate Márcio Ayer Correia de Andrade, Antônio Fernandes dos Santos Neto, Francisco Canindé Pegado do Nascimento e Valeir Ertle, vozes de entidades sindicais que confirmaram presença.
Na agenda de Lula
Na última quarta-feira (18), a agenda do presidente da república centralizou debates sobre a escala 6×1. Aproximadamente 70% dos cidadãos brasileiros manifestam apoio à extinção do regime 6×1, modelo que alterna seis dias de trabalho por apenas um de repouso remunerado.
Enquanto críticos alegam que o Brasil carece de base econômica para suportar uma retração drástica na carga horária, os números revelam que 71% dos consultados defendem a redução dos dias trabalhados, contra 27% que se opõem e 3% que não opinaram.
O estudo aponta um fortalecimento da pauta em relação a dezembro de 2024, quando a aprovação era de 64% e a rejeição somava 33%. Para compor este cenário, o Datafolha ouviu 2.004 indivíduos acima de 16 anos em 137 cidades, operando com margem de erro de dois pontos percentuais e confiança de 95%.
No âmbito corporativo o clima é de polarização: 39% preveem ganhos para as empresas e outros 39% projetam danos, embora o pessimismo tenha recuado frente aos 42% registrados no ano anterior.
Quanto à saúde financeira do país, metade dos entrevistados pelo Datafolha estima que o encerramento da escala 6×1 geraria um impacto positivo na economia, ao passo que 24% anteveem resultados negativos. O bem-estar social, contudo, é o ponto de maior convergência: 76% acreditam que a mudança otimizaria a qualidade de vida.
Entre profissionais que já cumprem jornadas de até cinco dias, o otimismo quanto ao benefício aos trabalhadores atinge 81%, índice que se mantém elevado em 77% entre aqueles que trabalham seis ou sete dias por semana.
O Legislativo
Para o legislativo, o texto ataca diretamente o modelo 6×1, prevalente na indústria, comércio e serviços, buscando substituí-lo por estruturas que privilegiam períodos de descanso mais amplos. Além de aparentar um maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional, a proposta abre caminho para a redução da carga semanal sem perdas salariais, alinhando o Brasil a padrões internacionais de jornadas reduzidas.
Os defensores da medida reiteram que expedientes mais curtos têm o condão de alavancar a produtividade, mitigar o estresse e favorecer a saúde mental da classe trabalhadora.

