Dados da pesquisa Atlas/Bloomberg indicam uma disputa mais acirrada, com redução da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e avanço do senador Flávio Bolsonaro nas intenções de voto. Esse movimento tem modificado a percepção de risco e de oportunidades por parte do mercado financeiro.
Lula aparece com 45% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio registra 37,9%, evidenciando o crescimento do candidato da direita e maior competitividade na disputa. Em simulações de segundo turno, há empate técnico entre os dois, o que reflete um ambiente de forte polarização, conforme a pesquisa.
A reação inicial do mercado à possível candidatura de Flávio Bolsonaro foi negativa. No chamado “Flávio Day”, em dezembro, o Ibovespa recuou 4,31%, registrando a maior queda diária desde 2021, segundo dados do E-investidor. Com o avanço do senador nas pesquisas, no entanto, essa percepção passou por mudanças.
Na avaliação de especialistas, ouvidos na época, o crescimento do senador aumenta a possibilidade de alternância de poder e gera expectativa de uma agenda econômica mais voltada à responsabilidade fiscal. Essa leitura tem impactado positivamente os ativos, ainda que de forma pontual.
Uma vitória do candidato da direita poderia abrir espaço para agendas pró-mercado e revisão de políticas econômicas, o que costuma beneficiar empresas financeiras e companhias com forte participação estatal, com expectativa de privatizações e ajustes fiscais. Também é esperada uma queda nos juros.
Indicadores refletem nova leitura
O Ibovespa atingiu máximas históricas recentes, enquanto o dólar recuou frente ao real e as taxas de juros de longo prazo apresentaram queda. Para Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos, leituras favoráveis à direita no cenário eleitoral tendem a dar mais fôlego ao mercado brasileiro.
Apesar disso, segundo analistas, o impacto ainda é limitado no curto prazo, diante da volatilidade típica do período pré-eleitoral. Ainda que o avanço de Flávio Bolsonaro seja visto com otimismo por parte dos investidores, há fatores condicionantes.
Segundo Flávio Conde, da Levante Investimentos, a definição do vice-presidente e, principalmente, do ministro da Fazenda será determinante para consolidar a confiança. A escolha desses nomes deve sinalizar o grau de compromisso com a responsabilidade fiscal.
O analista afirma ainda que o peso das eleições tende a ganhar força apenas no segundo semestre, quando o cenário deverá estar mais definido.
Segundo o BTG Pactual, investidores já ajustam suas estratégias conforme as possibilidades eleitorais. Em um cenário de vitória da oposição, empresas do setor financeiro e estatais aparecem como potenciais beneficiárias, como Banco do Brasil, XP e Petrobras, segundo o banco.
O documento também aponta que o ambiente permanece polarizado e com disputa em aberto, sendo Flávio Bolsonaro o nome mais provável da oposição, concentrando 81% das respostas entre investidores.
Fluxo estrangeiro
Outro fator relevante para o cenário econômico é o fluxo de capital estrangeiro. Houve entrada de cerca de US$ 6 bilhões na bolsa brasileira apenas em janeiro, equivalente ao total registrado ao longo de 2025.
O banco destaca que a recente alta do Ibovespa foi impulsionada por grandes companhias, como Vale e Petrobras, enquanto investidores locais ainda demonstram cautela. Setores como Materiais Básicos e Petróleo & Gás seguem entre os mais vendidos, indicando resistência em acompanhar esse movimento.
O cenário eleitoral competitivo, possibilidade de mudança de governo e a entrada de capital externo aponta para um quadro de otimismo moderado, condicionado principalmente às sinalizações econômicas de um eventual governo liderado por Flávio Bolsonaro.

