O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirma que o país está ativamente em conversas com o Irã para acabar com a guerra no Oriente Médio, iniciada há quase um mês. Apesar do Irã negar publicamente a proposta de Trump na mídia estatal, informações do The New York Times indicam que autoridades iranianas estão abertas a negociações.
Ao mesmo tempo, o Pentágono ameaça mais ataques na região e Israel segue com os bombardeios na preocupação de que o arsenal nuclear do Irã ainda apresenta algum tipo de ameaça.
O que prevê o acordo proposto por Trump?
Segundo o The New York Times, os EUA enviara um plano de 15 pontos para encerrar a guerra no Oriente Médio por meio de mediadores paquistaneses.
Autoridades que falaram em anonimato ao periódico confirmaram que o acordo aborda os programas nuclear e de mísseis balísticos do Irã. Ainda, discute as rotas marítimas, como o Estreito de Ormuz, que garante boa parte do fornecimento de petróleo global.
Ao mesmo tempo, Trump afirmou que, se o Irã não encerrasse o bloqueio ao Estreito de Ormuz até sexta-feira, ordenaria um bombardeio maciço à infraestrutura energética iraniana.
Irã “quer muito fazer um acordo”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (23) que o Irã “quer muito fazer um acordo” de paz que isso deve acontecer nos próximos cinco dias ou menos.
A declaração aconteceu em entrevista por telefone ao programa “Mornings with Maria”, da Fox Business Network.
De acordo com Trump, a vontade de fazer um acordo surgiu nas conversas mais recentes entre os enviados dos EUA ao Irã, Steve Witkoff e Jared Kushner, e os negociadores do país pérsico.
Por outro lado, a mídia iraniana afirma que os diálogos entre as partes não aconteceram. Trump, por sua vez, alegou que as informações no país estão dificultadas em meio aos bombardeios.
Custos políticos para Trump
A guerra iniciada pelos Estados Unidos contra o Irã pode impor diversos e graves custos políticos ao presidente Donald Trump, segundo analistas entrevistados pelo g1.
O tempo de conflito ainda está indeterminado, à medida em que as forças iranianas resistem. Ao mesmo tempo, os preços do petróleo disparam e já alcançam a casa dos US$ 100 por barril.
Para Trump, o cenário é delicado: ele busca maneiras de arrefecer a alta do petróleo enquanto acalma os eleitores americanos que devem escolher novos parlamentares em novembro. A expectativa é de que o preço da gasolina suba e a guerra permaneça entre os americanos.
No entanto, o humor dos eleitores está se deteriorando, de acordo com Denilde Holzhacker, professora de relações internacionais da ESPM, em entrevista ao g1. Para ela, Trump tenta transmitir a mensagem de que a guerra vai acabar, que o Estreito de Ormuz será controlado, mas não há qualquer fundamento para essa afirmação.
O Estreito de Ormuz é o único canal que liga a passagem de petróleo do Golfo ao Oceano Índico. Isso significa que os navios petroleiros que circulam na região transportam diariamente cerca de 30% do consumo total da commodity.
Desde o início dos conflitos, em fevereiro, o Irã bloqueia a passagem, o que afeta diretamente a demanda e o preço do petróleo.
Os EUA terão, em novembro, eleições de meio de mandato, em que os estadunidenses devem escolher novos governadores, 435 cadeiras da Câmara e 35 do Senado. O momento é decisivo para entender se Trump terá o apoio necessário nas duas Casas Legislativas, visto que atualmente os republicanos — partido de Trump — dominam as casas.
EUA injeta bilhões na guerra
Conforme mostrado pelo O Brasilianista, os Estados Unidos estão injetando cerca de meio bilhão de dólares por dia na guerra contra o Irã. As informações são do The Guardian com base em analistas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).
Uma semana após as forças americanas e israelenses iniciarem seu ataque ao Irã, funcionários do Pentágono informaram a parlamentares, em uma reunião fechada, que o custo da guerra já havia ultrapassado US$ 11,3 bilhões apenas nos primeiros seis dias.
No sexto dia de conflito, o CSIS estimou o custo acumulado em US$ 12,7 bilhões. Depois de quase vinte dias, é provável que já tenha ultrapassado US$ 18 bilhões.
Vale destacar que as primeiras horas da guerra foram dominadas por algumas das armas mais caras do arsenal americano, utilizando mísseis de longo alcance, interceptores de mísseis balísticos e sistemas de radar.

