O trabalho é reconhecido como um dos principais âmbitos da vida em sociedade, concentrando grande parte do tempo da população. No Brasil, está em discursão o fim da escala 6×1, proposta que prevê a redução da jornada semanal de trabalho sob a justificativa de promover o equilibro entre a vida pessoal e profissional, movimento que já é observado em outros países, onde modelos alternativos vêm sendo adotados.
Apesar da proposta do Brasil ser mudar a escala para 5×2, ou seja, 36 horas semanais, em outros países do mundo já há experiências ainda mais flexíveis, como a semana de quatro dias de trabalho e três de folga. Nos últimos anos, diversas nações, como o Japão e a Espanha, passaram a testar esse modelo e, ao final desses experimentos, observaram aumento na produtividade dos trabalhadores.
Ranking das horas trabalhadas em outros países
Segundo informações do Fórum Econômico Mundial, o Reino Unido é um dos países que vêm implementando a jornada 4×3, com relatos de 2,7 milhões de trabalhadores que já são contratados nesse modelo. No país, a jornada tradicional de cinco dias de trabalho por dois de descanso e 36 horas semanais já é uma realidade, aponta o ranking da Organização Internacional do Trabalho.
O primeiro país do mundo a incluir a escala de quatro dias e meio para todas as suas entidades governamentais, bem como para os funcionários do seu banco central foi os Emirados Árabes Unidos, medida estabelecida em 2021, segundo a BBC News. Porém, segundo o jornal Rivermate, atualmente, a legislação do país prevê oito horas máximas de trabalho por dia ou 48 horas por semana.
A Europa e a Ásia Ocidental são os continentes com mais países que aplicam menores jornadas de trabalho. A média semanal de trabalho na França, Itália e Alemanha é de 36 horas. No Japão e na Argentina, a população trabalha em média 37 horas semanais. Já em Vanuatu, país na Oceania, a média de trabalho é de apenas 24 horas.
Entretanto, há um movimento de aumento nas horas dedicadas ao trabalho em alguns países. O cenário é observado nos Estados Unidos, em que se tem o aumento das horas extras, bem como na Suécia, em que há aumento das horas trabalhadas por trabalhadores de meio período, segundo o artigo Tendências nas horas de trabalho nos países da OCDE.
Maior custo e produtividade
O debate internacional acerca da diminuição da jornada de trabalho está em torno da possibilidade de gerar maiores custos para as empresas. No Brasil, este é um dos principais pontos de resistência por parte dos empregadores, que preveem impactos financeiros e operacionais com a mudança.
Na visão do advogado trabalhista e sócio do Badaró Almeida e Advogados Associados, Maurício Sampaio, a maior produtividade identificada em outros países do mundo que testaram o modelo deve suprir os custos para as empresas. Além disso, por beneficiar o bem-estar dos empregados, a proposta deve diminuir os afastamentos por problemas de saúde.
“Em outros países em que houve essa redução de jornada, já há evidência de que pode aumentar a produtividade dos trabalhadores e da empresa, diminuir os afastamentos e reduzir a rotatividade de pessoal, o que ajuda a compensar esse custo ao longo do tempo”, afirma Maurício Sampaio.

