Publicidade
Justiça

Fictor: processo judicial se torna uma “sinuca de bico” para credores

Alvo de suspeitas de esvaziamento patrimonial, legislação tenta impedir falência imediata da empresa

Fictor: processo judicial se torna uma “sinuca de bico” para credores

A recuperação judicial do Grupo Fictor se transformou em um impasse jurídico e financeiro que aparentemente é difícil de resolver. Com um passivo declarado de R$ 4 bilhões na Justiça de São Paulo, a companhia coloca os credores em uma posição de vulnerabilidade, uma vez que a busca individual por ativos da empresa tem se mostrado ineficaz.

Publicidade

De acordo com O Brasilianista, advogados especializados na área, dizem que embora a documentação submetida pela holding seja considerada frágil, a legislação atual impede que a falência seja decretada sumariamente sem que se tente primeiro o rito da reestruturação.

Esses profissionais ressaltam que manter o processo de recuperação seria uma boa alternativa para quem tem valores a receber, dado que o Ministério Público e o administrador judicial possuem mecanismos de investigação patrimonial superiores aos de pessoas físicas ou jurídicas isoladas.

Segundo um dos juristas ouvidos pelo O Brasilianista, caso o colapso definitivo da Fictor venha a ser confirmado futuramente, as autoridades poderão acionar ferramentas avançadas de rastreamento de bens, como os sistemas Sniper e Simba.

Cronologia do caso Fictor

  • Muita coisa acontece com a Fictor em fevereiro de 2026. O grupo começa protocolando no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ‑SP) um pedido de recuperação judicial das empresas Fictor Holding e Fictor Invest, alegando dificuldades financeiras e buscando reorganizar seus compromissos em até 180 dias diante de uma crise de liquidez.
  • Além disso, antes do pedido de recuperação judicial, a Fictor alterou a condição dos investidores, por meio de distratos unilaterais de Sociedades em Conta de Participação (SCPs), transformando investidores em credores e adiando pagamentos por até seis meses dentro da recuperação judicial.
  • A Fictor detalhou o pedido de recuperação declarando dívidas que ultrapassam R$ 4 bilhões, explicando que os efeitos da crise, agravados pela tentativa frustrada de compra do Banco Master e pela deterioração da confiança do mercado, levaram à necessidade da medida.
  • Ainda no inicio de fevereiro, a Justiça de São Paulo concedeu a recuperação judicial provisória às duas empresas, suspendeu bloqueios e penhoras, e determinou perícia para avaliar a real situação financeira da organização antes de decidir sobre a continuidade do processo.
  • Em meio ao processo de recuperação judicial, a gestora Fictor Asset anunciou o fechamento de um fundo de R$ 270 milhões e convocou uma assembleia para discutir sua liquidação, reflexo direto da crise de liquidez e da repercussão negativa associada ao caso.

Quebra-cabeças

Todo esse caso da Fictor em 2026 começou em 2025, horas antes da liquidação do banco Master. A empresa tentou adquirir o banco de Daniel Vorcaro na véspera da primeira prisão do banqueiro, logo após o fracasso das tratativas com o Banco de Brasília.

O Master foi liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025. A instituição financeira operava mediante o uso de empresas de fachada e aportes provenientes de fundos de previdência de servidores públicos para sustentar suas atividades.

A instituição já enfrentava uma crise de liquidez evidente, incapaz de cumprir os depósitos compulsórios exigidos pelo BC, mecanismo que exige que bancos mantenham parte dos recursos dos clientes em reserva para avaliar liquidez e circulação de dinheiro.

“Sinuca de bico”

Atualmente a gravidade do cenário é detalhada por perícias anexadas à ação, as quais mostram que a higidez financeira do conglomerado foi simulada por meio de uma rede de transferências envolvendo 43 empresas da holding. Segundo os dados periciais, a Fictor Holding Financeira encerrou o ciclo de 2025 com prejuízos acumulados de R$ 12,6 milhões, contrastando com um caixa disponível de irrisórios R$ 385.

O relatório técnico aponta que o saldo de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital (AFAC), de R$ 23,3 milhões, somado a transações intercompany de R$ 3,3 milhões, concentram quase toda a alocação de recursos do grupo.

De acordo com os peritos, essa estrutura explica a ausência de liquidez para quitar compromissos imediatos e evidencia uma estratégia de esvaziamento operacional em benefício de entidades coligadas.

Notícias sobre política, economia e justiça nas nossas redes sociais