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Economia

Fed pode ter nova crise como a de 1929?

Apesar de incertezas econômicas, especialista destaca resiliência do sistema financeiro moderno

Fed pode ter nova crise como a de 1929?

O Federal Reserve indicou que deve realizar apenas um corte de juros em 2026, mantendo uma postura cautelosa diante da inflação persistente e do cenário global incerto. A estratégia sinaliza uma condução defensiva da política monetária, sem caracterizar uma crise sistêmica como a Crise de 1929.

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Para O Brasilianista, Wagner Moraes, economista e CEO da A&S Partners, uma venture builder financeira, na reunião de 18 de março de 2026, a autoridade monetária manteve os juros entre 3,50% e 3,75% e elevou a projeção de inflação (PCE) para 2,7%. O ambiente externo, incluindo tensões no Oriente Médio, é um fator de risco, mas secundário frente à inflação ainda resistente nos Estados Unidos.

A sinalização de apenas um corte ao longo do ano reflete a avaliação de que a economia americana segue resiliente, o que reduz a necessidade de estímulos mais agressivos. Nesse contexto, o Fed evita flexibilizar a política monetária de forma prematura, priorizando o controle inflacionário e a previsibilidade.

As incertezas globais, especialmente ligadas ao setor energético, contribuem para a cautela. A alta de petróleo e gás pressiona preços e amplia riscos inflacionários, mas não altera o foco principal do Fed, que permanece centrado na dinâmica da inflação doméstica.

Sem paralelo com a crise de 1929

Apesar do ambiente de maior aversão ao risco, Moraes descarta uma repetição da Crise de 1929, que teve início com a quebra da Bolsa de Nova York e evoluiu para uma depressão econômica global. Para ele, hoje, o cenário é distinto. O sistema financeiro conta com instrumentos de liquidez, regulação mais rigorosa e seguros de depósito, fatores que ampliam a capacidade de resposta a choques.

“Eu não vejo um cenário comparável a 1929. Pode haver estresse, volatilidade forte, correções relevantes e até recessões localizadas, mas o sistema financeiro global hoje é incomparavelmente mais protegido do que era naquela época. Em 1929, o colapso foi agravado por falências bancárias em massa, ausência de seguro de depósitos e uma resposta de política econômica muito mais precária”, justifica.

O economista ressalta que, diferentemente daquele período, há hoje maior atuação dos bancos centrais e um arcabouço prudencial mais robusto.

“Hoje existem bancos centrais mais atuantes, instrumentos de liquidez, arcabouço prudencial e seguros de depósito que não existiam naquele mundo”, acrescenta.

Embora afaste um colapso semelhante ao de 1929, Moraes alerta para um cenário prolongado de instabilidade moderada, caracterizado por inflação persistente, crescimento mais fraco e volatilidade elevada.

“O risco que eu vejo não é repetição de 1929; é uma combinação mais moderna e mais plausível de inflação persistente, crescimento fraco e volatilidade global elevada. É menos ‘Grande Depressão’ e mais risco de um ambiente prolongado de baixo conforto macroeconômico”, conclui.

A crise de 1929

A Crise de 1929, que ocorreu no mesmo ano, teve início com a quebra da Bolsa de Nova York, após um período de crescimento artificial sustentado por especulação financeira, crédito fácil e produção acima da capacidade de consumo, como detalha o Federal Reserve History.

Esse desequilíbrio gerou queda abrupta nos preços das ações, falências em cadeia, retração do crédito e desemprego em massa, espalhando a crise para diversos países. Na época, o presidente dos Estados Unidos era Herbert Hoover, que teve uma resposta inicial marcada pela baixa intervenção estatal.

A aposta na autorregulação do mercado contribuiu para aprofundar a crise, com colapso do sistema produtivo, queda da renda e agravamento das condições sociais.

A mudança ocorreu a partir de 1933, com a posse de Franklin D. Roosevelt e a implementação do New Deal, um conjunto de medidas para ampliar a intervenção do Estado na economia, gerar empregos, regular o sistema financeiro e combater os efeitos.

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