Em 21 janeiro de 2026, o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A (Will Bank), instituição que operava no mercado financeiro digital sob o nome comercial Will Bank e integrava o Conglomerado Master. A medida foi formalizada no Ato do Presidente nº 1.376, e marcou mais um capítulo na intervenção do BC em instituições ligadas ao maior escândalo financeiro recente no país.
A decisão do BC foi motivada por três fatores principais, sendo elas:
- O Banco Central avaliou que a Will Financeira estava em severa deterioração financeira, sem condições de se recuperar.
- A instituição não tinha capacidade técnica nem financeira de cumprir seus compromissos com terceiros, caracterizando insolvência, isto é, incapacidade de pagar o que deve.
- O Will Bank era controlado pelo Banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi decretada em 18 de novembro de 2025. O BC entendeu que o vínculo societário e de controle entre as duas instituições agravava os riscos e inviabilizava a continuidade da Will Financeira de forma independente.
Antes da liquidação, o Will Bank estava operando sob um Regime Especial de Administração Temporária (RAET), em que o BC assume a gestão da instituição em dificuldades para tentar preservar seus serviços e buscar uma solução de mercado, como a venda da empresa, sem interromper imediatamente suas operações. O próprio regulador explicou ao longo do processo que essa alternativa deixou de ser viável.
Em nota oficial…
Valores até R$ 1.000,00 (mil reais), dentro do limite de cobertura, já estão sendo pagos aos clientes por meio do aplicativo do Will Bank. Para créditos garantidos acima do valor mencionado, o pagamento será feito diretamente pelo aplicativo do FGC após envio e processamento das informações pelo liquidante. As chaves Pix dos clientes já foram liberadas para uso em outras instituições.
O FGC funciona como um “seguro” contra a insolvência de bancos e financeiras, garantindo até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição/conglomerado, com limite agregado de R$ 1 milhão por período de quatro anos. Estão cobertos pelo FGC, entre outros: contas correntes, poupança, CDB, RDB, LCI, LCA, letras de crédito e depósitos a prazo.
Créditos que ultrapassarem esse limite ou não forem garantidos pelo FGC serão inscritos no quadro geral de credores do Will Bank e poderão ser pagos conforme a ordem de preferência definida em lei.
- Impacto para clientes e credores;
- A liquidação causou efeitos imediatos sobre os clientes;
- O acesso regular às contas foi suspenso, sendo reestabelecido gradualmente pelo FGC.
A liberação das chaves Pix permite que os clientes transfiram recursos já liberados para outras instituições. Clientes que tinham saldos superiores aos limites cobertos pelo FGC precisarão aguardar a compilação dos dados dos credores pelo liquidante e o prosseguimento do processo de pagamentos.
O Banco Central e o FGC orientam que os clientes acompanhem as informações oficiais divulgadas pelo aplicativo do Will Bank e pelos canais do liquidante, que detalharão etapas, prazos e orientações específicas para solicitar a cobertura de garantia.
Cronologia dos fatos
- Em novembro de 2025 o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master S.A., instituição financeira que vinha sendo investigada por irregularidades graves e suspeitas de fraude bilionária. Essa liquidação marcou o início da série de intervenções do regulador no grupo de empresas controladas por Daniel Vorcaro.
- Após a decretação da liquidação do Master, o Will Bank não foi liquidado imediatamente. Em vez disso, passou a operar sob um Regime Especial de Administração Temporária (RAET) imposto pelo BC. Esse regime significava que a instituição ficaria sob tutela do regulador enquanto se buscava uma solução que preservasse sua operação.
- No final de novembro, durante o período em que esteve sob RAET, o BC e o mercado avaliaram possíveis interessados na aquisição do Will Bank como forma de evitar a liquidação extrajudicial. Havia negociações consideradas promissoras, inclusive com potenciais compradores estrangeiros, mas nenhuma conclusão efetiva foi alcançada até o início de 2026.
- Já em janeiro de 2026, o Will Bank descumpriu a grade de pagamentos acordada com a bandeira Mastercard. Isso gerou o bloqueio imediato da participação da Will Bank na rede de pagamentos da Mastercard, o que inviabilizou a operação cotidiana da empresa.
- No mesmo mês, diante do agravamento da situação financeira e dos vínculos de controle com o Banco Master, o BC decretou a liquidação extrajudicial do banco. A medida foi considerada “inevitável” pelo regulador, encerrando as atividades e definindo o início de um processo formal de apuração de ativos, passivos e responsabilidades dos controladores e ex‑administradores.
- Com a liquidação do Will Bank, o BC concluiu a sexta instituição financeira ligada ao caso Master como encerrada, integrando uma série de intervenções que envolveram bancos, corretoras e distribuidoras de títulos associados ao grupo.
- Assim como a Fictor, o Will Bank fazia parte do conglomerado Master, controlado por Daniel Vorcaro. Apesar de inicialmente preservado sob RAET com vista à venda, o descumprimento de obrigações financeiras com a Mastercard e o vínculo societário com o Master tornaram inviável manter a instituição em atividade.

