O Produto Interno Bruto (PIB) e os direitos sociais estão entre os seis principais indicadores considerados pelo World Happiness Report para classificar os países mais felizes do mundo, enquanto a Finlândia, nação referência em qualidade de vida, ocupa o topo do ranking, o Brasil ocupa a 32º posição. Além da economia, os países também são avaliados a partir do bem-estar da população, o que envolve aspectos pessoais, como ter alguém de confiança ao lado.
O economista e especialista em relações internacionais, Pedro Fernandes, explica que renda, nível educacional, tempo de lazer, percepção de corrupção, confiança no Estado e confiança no setor público são alguns dos indicadores considerados de maior relevância para avaliar o nível de bem-estar de uma nação. De acordo com o especialista, não existe população satisfeita em um país onde a percepção de confiança mútua é baixa.
Estabilidade deixa população mais independente
Nesse contexto surgem reflexões sobre qual caminho o Brasil precisa percorrer para alcançar o nível de felicidade como o observado na Finlândia. Pedro Fernandes considera que o principal aspecto para que o país chegue a uma realidade mais favorável para a população é a segurança econômica e política, cenário desafiador para países emergentes.
O especialista explica que países com estabilidade política tendem a oferecer mais segurança à população, sobretudo quanto à continuidade de direitos, mesmo diante de mudanças no poder público. Além disso, o cenário de maior confiança reduz a tendência de que grupos políticos ou candidatos sejam percebidos como “salvadores” da população. O movimento é de fortalecimento das instituições públicas e de amadurecimento democrático.
“Estabilidade política significa que a alternância de poder não produz quebras de expectativas e de infraestrutura econômica e de proteção social. Estabilidade implica, que políticas boas, independentemente se surgiram em governos de direita, centro ou esquerda serão continuadas”, disse. “É vital para a formação na sociedade da percepção de que nós não precisamos de um salvador com representante político, mas sim, de um servidor que tem o mandato de melhorar ou pelo menos não prejudicar nossas vidas”, explica Pedro Fernandes.
Políticas públicas
Ao avaliar as políticas públicas da Finlândia, o especialista observa que o país apresenta um nível muito elevado de igualdade de oportunidades, com os sistemas de educação e saúde que oferecem oportunidades de autodesenvolvimento e crescimento para todos, independentemente da condição financeira a que pertencem. Nesse cenário, o Brasil parece estar apresentando melhores índices de desigualdade, com 1,9 milhão de pessoas que deixaram a condição de miséria, entre 2023 e 2024, segundo informações da Secretaria de Comunicação Social.
Os dados apontam que, em 2024, havia 48,9 milhões de pessoas que viviam com menos de US$ 6,85 por dia, o equivalente a cerca de R$ 694 em valores corrigidos, valor que corresponde a aproximadamente metade do salário mínimo e que o Banco Mundial define como linha da pobreza. Os resultados podem ter influenciado o Brasil a subir de posição na lista World Happiness Report, já que ano passou ficou em 44º lugar.
“É importante observar isso, a percepção de realização individual está diretamente relacionada a percepção de justiça social, e econômica, que cada indivíduo forma. No Brasil, a exclusão se dá de várias formas, reduzindo a liberdade de ação e incapacitando, muitas vezes, um indivíduo por mais talentoso e esforçado de alcançar uma posição alinhada às suas características”, explica Fernandes.

