Publicidade
Economia

Classe C lidera empreendedorismo no Brasil e reforça busca por autonomia

Movimento reflete mudança estrutural no mercado de trabalho e insatisfação com emprego formal

Classe C lidera empreendedorismo no Brasil e reforça busca por autonomia

Quase metade dos donos de negócios no Brasil pertence à classe C, evidenciando uma mudança relevante no perfil do empreendedorismo no país.

Publicidade

O dado indica que abrir o próprio negócio deixou de ser apenas alternativa emergencial e passou a representar um projeto de vida para milhões de brasileiros.

Esse movimento ganha força em meio à perda de atratividade do emprego formal e à busca por melhores condições de renda e autonomia. As informações são da Agência Brasil.

Perfil popular ganha protagonismo econômico

Segundo levantamento do Instituto Locomotiva em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a classe C concentra quase metade dos empreendedores do país.

Esse dado evidencia que o fenômeno deixou de ser concentrado em nichos específicos. A atividade passou a integrar o cotidiano de uma parcela ampla da população, especialmente entre aqueles que buscam alternativas para melhorar a renda.

Entre os brasileiros da classe C, 46% apostam no empreendedorismo como caminho para ascender socialmente.

Já 22% depositam essa expectativa na fé ou no apoio religioso, enquanto 13% acreditam que a melhora de vida pode vir com ajuda da família.

Por outro lado, só 8% acreditam em uma melhora concreta nas condições atuais, e apenas 3% veem na empresa onde trabalham uma possibilidade de avanço na qualidade de vida.

Busca por autonomia impulsiona decisões

A escolha por empreender está diretamente ligada à busca por flexibilidade e melhores ganhos. Muitos brasileiros enxergam no negócio próprio uma forma de escapar de rotinas rígidas e limitações do mercado formal.

Ainda conforme o levantamento, fatores como jornadas extensas, deslocamentos cansativos e ambientes de trabalho considerados desgastantes influenciam essa decisão. O empreendedorismo surge, nesse contexto, como alternativa para reorganizar a vida profissional.

Além disso, há uma percepção de que o retorno financeiro pode ser maior fora do modelo tradicional. Essa expectativa contribui para o crescimento do interesse pela atividade.

Queda na renda reforça mudança de comportamento

O cenário econômico também ajuda a explicar o avanço desse movimento. Conforme dados citados pelo levantamento, o aumento da escolaridade não foi acompanhado por crescimento proporcional da renda.

Entre 2004 e 2024, a média de anos de estudo subiu de 7 para 11 anos entre brasileiros com 25 anos ou mais. No mesmo período, a renda média mensal apresentou leve queda.

Esse descompasso entre qualificação e remuneração contribui para a frustração com o emprego formal. Como resultado, cresce a busca por alternativas capazes de oferecer melhores perspectivas financeiras.

Aspiração substitui necessidade imediata

O empreendedorismo deixou de ser apenas uma resposta ao desemprego. Hoje, ele aparece como escolha consciente para ascensão social, especialmente entre a classe C.

Como afirmou o presidente do Sebrae, Décio Lima, “O sonho de ser dono do próprio negócio motiva milhões de homens e mulheres que lutam para manterem a si e suas famílias. E não apenas isso, mas geram emprego e renda e criam inclusão social, mobilizando comunidades inteiras em todo o país”.

Diferença entre oportunidade e sobrevivência

Apesar do crescimento, especialistas alertam para a necessidade de diferenciar tipos de empreendedorismo. Nem toda atividade por conta própria representa inovação ou expansão econômica.

Como informou à Agência Brasil o economista Euzébio de Sousa, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), parte dos negócios surge por falta de alternativas no mercado formal.

“Nem toda abertura de CNPJ […] pode ser tomada automaticamente como expressão de iniciativa empreendedora”, afirmou o pesquisador. Ele destaca que há casos ligados à subsistência ou à precarização do trabalho.

Esse tipo de atividade tende a ocorrer em cenários de desemprego elevado, baixos salários e ausência de proteção social.

Nesses casos, o empreendedorismo funciona mais como estratégia de sobrevivência do que como vetor de desenvolvimento.

Papel do Estado entra no centro do debate

O crescimento do empreendedorismo popular também levanta discussões sobre políticas públicas. A ampliação do número de pequenos negócios exige condições adequadas para sustentabilidade dessas iniciativas.

Segundo Décio Lima, é fundamental garantir acesso a crédito, inovação e capacitação. Essas medidas são vistas como essenciais para aumentar a produtividade e a competitividade dos empreendimentos.

Ainda conforme o presidente do Sebrae, o fortalecimento do ambiente legal pode ampliar as oportunidades e reduzir a vulnerabilidade dos pequenos empresários.

Siga O Brasilianista!