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Geopolítica

O que cada lado quer para acabar com a guerra entre EUA e Irã?

Em quase um mês de conflitos, as diplomacias chegam perto de um acordo de paz

O que cada lado quer para acabar com a guerra entre EUA e Irã?

Conforme mostrou O Brasilianista, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirma que o país está ativamente em conversas com o Irã para acabar com a guerra no Oriente Médio, iniciada há quase um mês.

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Apesar do Irã negar publicamente a proposta de Trump na mídia estatal, informações do The New York Times indicam que autoridades iranianas estão abertas a negociações.

Ao mesmo tempo, o Pentágono ameaça mais ataques na região e Israel segue com os bombardeios na preocupação de que o arsenal nuclear do Irã ainda apresenta algum tipo de ameaça.

O que prevê o acordo proposto por Trump?

Segundo o The New York Times, os EUA enviara um plano de 15 pontos para encerrar a guerra no Oriente Médio por meio de mediadores paquistaneses.

Autoridades que falaram em anonimato ao periódico confirmaram que o acordo aborda os programas nuclear e de mísseis balísticos do Irã. Ainda, discute as rotas marítimas, como o Estreito de Ormuz, que garante boa parte do fornecimento de petróleo global.

Ao mesmo tempo, Trump afirmou que, se o Irã não encerrasse o bloqueio ao Estreito de Ormuz até sexta-feira, ordenaria um bombardeio maciço à infraestrutura energética iraniana.

O que EUA e Israel querem?

De acordo com a BBC, a esperança de quando os ataques começaram era de que a superioridade militar de Washington e Jerusalém faria com que o Irã pedisse paz nos termos dos EUA, mas isso não aconteceu.

Agora, o plano de paz inclui a proposta do fim do programa nuclear iraniano, o fim do programa de mísseis balísticos do Irã e o fim do apoio iraniano a “milícias por procuração”, como os houthis no Iêmen e o Hezbollah no Líbano.

Em troca, o país pérsico teria o alívio das sanções e controle compartilhado sobre o Estreito de Ormuz.

O que o Irã deseja com o acordo?

Já o Irã rejeitou completamente o plano dos EUA, caracterizando-o como “excessivo”.

Ainda de acordo com a BBC, a mídia estatal iraniana listou cinco condições para o fim da guerra, incluindo o pagamento de reparações de guerra, reconhecimento internacional do “direito soberano do Irã de exercer autoridade sobre o Estreito de Ormuz” e uma garantia de que o Irã não será atacado novamente.

Por ser a nação com maior população da região do Golfo, o Irã acredita que deve retomar seu papel legítimo de “policial do Golfo”. Nesse sentido, o governo iraniano deseja que a marinha dos EUA saia da região, o que permitiria que o Irã se tornasse a principal potência militar na região, com apoio da Rússia, China e Coreia do Norte.

Custos políticos para Trump

guerra iniciada pelos Estados Unidos contra o Irã pode impor diversos e graves custos políticos ao presidente Donald Trump, segundo analistas entrevistados pelo g1.

O tempo de conflito ainda está indeterminado, à medida em que as forças iranianas resistem. Ao mesmo tempo, os preços do petróleo disparam e já alcançam a casa dos US$ 100 por barril.

Para Trump, o cenário é delicado: ele busca maneiras de arrefecer a alta do petróleo enquanto acalma os eleitores americanos que devem escolher novos parlamentares em novembro. A expectativa é de que o preço da gasolina suba e a guerra permaneça entre os americanos.

No entanto, o humor dos eleitores está se deteriorando, de acordo com Denilde Holzhacker, professora de relações internacionais da ESPM, em entrevista ao g1. Para ela, Trump tenta transmitir a mensagem de que a guerra vai acabar, que o Estreito de Ormuz será controlado, mas não há qualquer fundamento para essa afirmação.

Estreito de Ormuz é o único canal que liga a passagem de petróleo do Golfo ao Oceano Índico. Isso significa que os navios petroleiros que circulam na região transportam diariamente cerca de 30% do consumo total da commodity.

Desde o início dos conflitos, em fevereiro, o Irã bloqueia a passagem, o que afeta diretamente a demanda e o preço do petróleo.

Os EUA terão, em novembro, eleições de meio de mandato, em que os estadunidenses devem escolher novos governadores, 435 cadeiras da Câmara e 35 do Senado. O momento é decisivo para entender se Trump terá o apoio necessário nas duas Casas Legislativas, visto que atualmente os republicanos — partido de Trump — dominam as casas.

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