Os data centers são foco em um debate global sobre o quanto a IA é sustentável. Geralmente usados para rodarem programas como Claude e ChatGPT, onde os chips funcionam em um certo trabalho intenso e precisam de refrigeração, esses armazéns tecnológicos acabam consumindo muita energia e água. Esse debate fica dividido em dois polos: empresas que falam que as críticas são exageradas e ativistas que criticam o impacto ambiental.
A Microsoft iniciou uma operação em janeiro usando uma tecnologia antiga — pela qual gasta muito mais água do que os sistemas de circulação fechada mais atuais — que tem como finalidade os primeiros complexos voltados à inteligência artificial no Brasil. A questão é que, no mesmo mês, assumiu um compromisso para a diminuição do uso de água em seus data centers. As informações são da Folha de S.Paulo.
Sem risco
As primeiras unidades do país estão localizadas no interior de São Paulo, mais precisamente em Hortolândia e Sumaré. De acordo com informações recebidas pela comunidade dos locais, os data centers possuem torres de evaporação.
Responsável pela rede de água nas duas cidades, a Sabesp divulgou que não viu risco para o sistema de abastecimento do município, logo após avaliar os projetos. No material entregue à comunidade, a Microsoft disse que espera usar as torres de evaporação somente quando as temperaturas ultrapassarem os 29,4°C, ou seja, em 10% do período de operação.
“Por exemplo, nossos data centers na Suécia não precisam de água durante todo o ano, enquanto nossos data centers no Arizona precisam de torres de evaporação de 40% do ano”, disse a empresa para a comunidade ao redor de Campinas, em um site com informações sobre o projeto.
Localização dos data centers
Ainda de acordo com a reportagem da Folha de S.Paulo, a forma de localizar os data centers foi por meio do auxílio de imagens de satélite, já que a Microsoft não divulga a localização dos armazéns ou seus detalhes.
Cada um dos data centers, tanto de Sumaré quanto de Hortolândia, tem a capacidade de 60 MW, de acordo com informações divulgadas pelo Pgmak, responsável pelo projeto. Ambos estão entre os maiores da América Latina.
Temperaturas altas
Diante de um pedido da própria reportagem, a Cepagri (Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura) da Unicamp, realizou um levantamento mostrando que, nos últimos 30 anos, a temperatura máxima diária passou os 29,4°C em quase 45% dos dias monitorados. Bruno Kabke Bainy, coordenador do Cepragri, relata que a perspectiva é que esse número aumente, muito por conta das mudanças climáticas.
“Com as mudanças climáticas, temos perspectiva de que esse número vá aumentar, com um maior número de dias quentes por ano. Os anos mais recentes têm apresentado dias mais quentes mesmo em anos de La Niña, quando a tendência é temperaturas mais brandas”, disse.
A maioria dos data centers no Brasil possuem um sistema de refrigeração a ar e de baixo consumo de água. A partir do momento que os chips para a IA eliminam mais calor no processamento de dados, novas unidades acabam usando líquido no momento da refrigeração, tanto em sistemas fechados ou com evaporação.

