Em meio a um cenário econômico global cada vez mais desafiador, é possível que o mercado analise a possibilidade do Brasil correr o risco de sofrer uma estagflação. Mas o que significa esse termo?
Segundo a Agência de Notícias da Indústria, a estagflação é um dos cenários mais desafiadores da economia, quando três fatores se combinam: desemprego, inflação e economia estagnada.
É um termo que descreve uma situação bem concreta e preocupante. Isso porque ela aconteceu nos anos 1970, quando países como Estados Unidos enfrentaram a crise do petróleo. A economia desacelerou, mas a inflação disparou, representando um grande desafio para governos e bancos centrais.
Mais recentemente, a Argentina tem vivido uma situação parecida, com inflação muito alta e crescimento fraco, afetando de diretamente o poder de compra da população. Já a Venezuela enfrentou um caso ainda mais extremo com hiperinflação e colapso econômico.
Em geral, a premissa é rara, visto que uma economia fraca não poderia gerar inflação alta.
Mas, em meio ao cenário dos juros altos no Brasil, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban questionou se o país não corre o risco de viver uma estagflação.
“O Brasil hoje tem a inflação mais controlada do que em outros momentos recentes, mas o crescimento econômico ainda é moderado e o ponto de atenção está justamente nesse equilíbrio. Quando a taxa de juros cai muito devagar, como na decisão recente do Copom, pode haver um risco de a economia não ganhar tração suficiente para crescer. Ao mesmo tempo, se a inflação voltar a pressionar, o país pode ficar preso nesse meio termo perigoso”, avaliou Alban.
No fim das contas, a estagflação é um lembrete de que não basta controlar os preços. É preciso garantir que a economia cresça de forma sustentada e que esse crescimento chegue até as pessoas.
Como estão os juros no Brasil hoje?
O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu cortar a taxa básica de juros na última reunião e fixou a Selic em 14,75% ao ano. A medida foi tomada em um contexto de maior instabilidade global e diante de sinais de desaceleração da economia brasileira, mantendo o foco no controle da inflação.
A Selic não é apenas um dado técnico para economistas e isso quer dizer que suas variações chegam rapidamente ao bolso dos brasileiros.
O corte da taxa básica indica um alívio para os juros cobrados em empréstimos, cartões de crédito e financiamentos. Comprar um carro ou uma casa, por exemplo, fica mais barato — e o cenário é de que o poder de compra do brasileiro aumente.
Por outro lado, os investimentos de renda fixa, como Tesouro Direto e CDBs, costumam render menos, dando maiores oportunidades para o mercado de ativos de risco, como ações, fundos imobiliários e BDRs, por exemplo.
Vale lembrar, no entanto, que um corte menor do que o esperado, visto que em janeiro a expectativa era de um corte de 0,5 pontos percentuais na Selic, não causam forte alívio no bolso do consumidor em primeiro momento, mas caminha para esse efeito.
Ainda, o cenário de guerra no ambiente internacional prejudica o controle real sobre a inflação.

