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Política

Haddad afirma que avanços econômicos são fruto de diálogo entre governo, Congresso e Judiciário

Segundo o ex-ministro da Fazenda, indicadores como inflação controlada, crescimento de 3% e reforma tributária mostram um trabalho conjunto e preparação para o futuro do país

Haddad afirma que avanços econômicos são fruto de diálogo entre governo, Congresso e Judiciário

Os últimos anos de Haddad à frente do Ministério da Fazenda permitiram avanços significativos na economia brasileira e na relação entre governo, Congresso e Judiciário. A avaliação é do próprio, ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, realizada durante o J. Safra Macro Day, nesta segunda-feira (30).

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O evento reuniu autoridades, economistas e especialistas para discutir os principais fatores que influenciam o ambiente de investimentos, como política monetária, cenário eleitoral, geopolítica e os impactos da inteligência artificial na economia.

Haddad, participou do painel sobre os desafios e as oportunidades para a economia brasileira e para o Estado de São Paulo trazendo uma leitura mais política e estratégica do cenário econômico. Durante a conversa, mediada por executivo da instituição, ele defende a solidez dos indicadores atuais e a importância da cooperação institucional entre os poderes para a estabilidade do país.

Cenário atual econômico

De acordo com o pré-candidato ao governo de Sao Paulo, o atual momento econômico, caracterizado por inflação controlada e crescimento médio de 3%, é fruto de um trabalho conjunto com o Congresso Nacional e o Poder Judiciário.

O ex-ministro destacou que a aprovação da reforma sobre os impostos de consumo, após quatro décadas de debates, representa o maior avanço estrutural do período, prometendo a desoneração total de investimentos e exportações através do IVA dual.

Segundo o ex-ministro, a implementação de um sistema 100% digital para o novo imposto transformará o Brasil em um centro de dados estratégico para a alocação de recursos. Haddad também ressaltou o esforço para a redução dos gastos tributários, que recuaram de 8% para pouco mais de 6% do PIB, contando com o apoio de partidos de centro, como o PSD.

“Lembrando que no primeiro ano do governo Lula, nós recebemos um orçamento com 62 bilhões de déficit fora do PIB. E nós estamos conseguindo chegar esse ano, eu acho, muito perto do equilíbrio fiscal. Você fazer um esforço de 1,7% ou 1,5% do PIB em quatro anos, sem prejudicar a base da pirâmide, sem prejudicar crescimento, sem prejudicar emprego, é uma operação muito complexa. E nós conseguimos fazer isso”, disse.

Haddad pontuou que o ajuste fiscal realizado permitiu preservar direitos sociais e melhorar as contas públicas simultaneamente. Para ele, existe “gordura” na política monetária que permite a continuidade de reformas microeconômicas no crédito, seguros e previdência, visando estabilizar a relação dívida/PIB com crescimento robusto.

Política monetária e juros

Questionado sobre a condução da taxa de juros e as declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre um ambiente global desafiador, Haddad reforçou que não é um defensor incondicional da queda dos juros, citando o apoio ao aumento da taxa no final de 2024 quando houve risco inflacionário.

“O Banco Central tem muita importância nas oportunidades que se ganham e que se perdem. Lembrando que é um problema, tem um remédio e você tem que calibrar a dose. Então essa coisa de dosar é a arte do Banqueiro Central. Faço efetivamente, acho que desde o ano passado, eu considero que havia espaço desde dezembro para iniciar um ciclo de corte”, defende.

O ex-ministro reiterou que, apesar das complicações externas, o Brasil possui trajetória possível para a política monetária e deve aproveitar as vantagens comparativas em setores como energia renovável e minerais críticos. Sobre o desafio das despesas obrigatórias para os próximos mandatos, Haddad defendeu que o tema seja enfrentado “em bloco” para dialogar com a sociedade sobre o fim de privilégios.

Segundo Fernando Haddad, a proteção de áreas como a educação é necessária, mas não deve servir de fachada para a manutenção de “penduricalhos” e supersalários.

“Se você não passar para a população que você vai mexer com privilégios, que você não vai mexer só com aquilo que eventualmente precisa mexer, mas que pode gerar suscetibilidades políticas e tal. Se você coloca isso numa big picture, num quadro maior, eu acredito que você dialoga melhor com a sociedade. E uma das coisas que me preocupam, nós da Fazenda nos envolvemos com três mega operações de combate à corrupção no Brasil”, analisou.

O pré-candidato enfatizou que o enfrentamento de esquemas de corrupção, como os identificados nos setores de combustíveis e fundos de investimento, é essencial para consolidar a respeitabilidade da classe política e a confiança nas instituições democráticas.

Cenário eleitoral em São Paulo

No campo político, Haddad comentou a movimentação de Gilberto Kassab (PSD) ao lançar a candidatura de Ronaldo Caiado como “alternativa”. Para o ex-ministro, embora o Brasil ofereça espaço para novidades, as lideranças atuais mantêm forte apelo popular. Sobre São Paulo, ele confirmou que apresentará seu plano de governo até julho, focando em educação, saúde e segurança.

“Nós estamos com um problema de segurança, que tem que ser resolvido pelas forças de segurança, e um problema de educação que tem que ser resolvido pelos educadores. Nós estamos misturando estações aqui, para agradar o público, mas vendendo uma fantasia, vendendo uma ilusão. Não estamos fazendo um trabalho como a gente deveria fazer”, enfatiza.

Segundo Fernando Haddad, embora São Paulo seja a unidade federativa mais rica do país, os investimentos atuais não se traduzem em qualidade educacional, criticando o que chamou de “mistura de estações” ao utilizar forças de segurança em ambientes escolares.

Haddad defende uma agenda modernizada que utilize a inteligência artificial para democratizar a produtividade e aposta na ampliação de alianças políticas, mencionando a colaboração de figuras como Simone Tebet e Geraldo Alckmin para superar divisões ideológicas no estado.

Alianças políticas

O ex-ministro também exaltou figuras como Simone Tebet e Geraldo Alckmin, indicando que pretende ampliar alianças feitas em 2022 para quebrar “muros artificialmente construídos” na política paulista.

Fernando Haddad elogiou a atuação e o perfil de Tebet, destacando a afinidade de ideias que ambos compartilharam durante o trabalho na área econômica do governo federal. Segundo Fernando Haddad, ela é uma pessoa “muito responsável, muito séria” e sua vinda para a cena política de São Paulo é motivo de satisfação, uma vez que ela possui raízes no estado pelo fato de suas filhas residirem em território paulista há bastante tempo.

“Mas é uma pessoa que vai fazer muito bem para o debate em São Paulo, uma mulher competente, comprometida, transparente, leal, ela tem todas as qualidades de uma grande política, de uma grande liderança. […] Eu fui muito feliz de trabalhar com a Simone, lá na econômica do governo federal, é uma pessoa que combinou muito ideias comigo, é uma pessoa muito responsável, muito séria, e muito feliz com a vinda dela para São Paulo”, destaca o ex-ministro.

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