A definição de quem pode assumir a vaga de vice na campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026 já movimenta partidos e lideranças políticas. O tema ganhou ainda mais força com a possibilidade de o atual vice, Geraldo Alckmin, disputar o Senado, o que abriria espaço para uma nova composição na chapa.
Rodrigo Augusto Prando, cientista político e sociólogo, professor e pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em entrevista exclusiva concedida ao O Brasilianista, avalia que a escolha do vice terá impacto direto na campanha. Ao analisar o papel desempenhado por Alckmin em 2022, ele lembra que o então candidato ajudou a ampliar o alcance da chapa em um contexto de forte polarização. Segundo o especialista, o desafio agora é encontrar alguém com capacidade semelhante. “A questão é: haverá um vice que possa amainar o sentimento antipetista?”, afirma.
Efeitos na chapa
A eventual candidatura de Alckmin ao Senado muda o ponto de partida das articulações. Em 2022, a composição com Lula buscou dialogar com setores mais amplos do eleitorado, incluindo grupos mais resistentes ao Partido dos Trabalhadores.
Sem ele, a tendência é que a campanha volte a buscar um nome com perfil conciliador. A escolha, no entanto, não depende apenas de afinidade política. Também envolve cálculo eleitoral e a necessidade de fortalecer alianças.
Prando afirma que não há um substituto natural para a vaga e que a escolha deve ser resultado de negociações políticas amplas. “A vaga depende de muita negociação levando em conta múltiplos fatores, nacionais e regionais”, diz.
Nomes cotados nos bastidores
Segundo o especialista, diferentes lideranças aparecem nas conversas de bastidores sobre a vaga de vice. Entre elas, nomes do MDB, como Simone Tebet, Renan Filho e Helder Barbalho. No PSD, Alexandre Silveira e Eduardo Paes também surgem como alternativas.
O levantamento inclui ainda figuras ligadas diretamente ao governo, como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a primeira-dama, Janja. Ainda assim, a possibilidade de uma chapa formada apenas por integrantes do PT é vista como pouco provável.
De acordo com a avaliação do cientista político, nomes fora do partido tendem a enfrentar menor resistência política. “Os nomes aventados, excetuando Janja e Haddad, do PT, apresentam viabilidade eleitoral e até aceitação no Congresso. Nomes do PT tendem a criar mais resistência, certamente”, explicou.
Perfil buscado para o vice
A escolha do vice deve seguir critérios que vão além da popularidade. A expectativa é de que o nome escolhido tenha força política em diferentes regiões e capacidade de diálogo com variados setores.
Segundo Rodrigo, o perfil mais competitivo reúne influência regional e alcance nacional, além de capacidade de reduzir resistências ao governo. Ele compara com experiências anteriores e cita exemplos de composições que ajudaram a ampliar alianças.
Entre os nomes avaliados nos bastidores, há alternativas com perfil semelhante ao buscado para a composição da chapa. “Um nome que se aproximaria do perfil de Alckmin é Simone Tebet, no meu entendimento”, disse Rodrigo Prando.
Alianças e negociações no centro da decisão
A definição do vice também passa pela necessidade de ampliar a base de apoio. Partidos como MDB e grupos do Centrão aparecem como peças-chave nesse processo, sobretudo pela presença no Congresso Nacional.
O especialista destaca que a escolha pode considerar movimentos estratégicos para fortalecer a campanha e enfrentar adversários. Entre os fatores em análise, está a busca por nomes que agreguem apoio político de forma pragmática.
Ao mesmo tempo, há resistências internas em relação a algumas opções. Sobre a possibilidade de Janja integrar a chapa, Prando afirma que ela “não é amplamente aceita nem entre os petistas históricos”.
Sem um nome consolidado até o momento, a disputa pela vice-liderança segue em aberto. A decisão deve avançar conforme as negociações políticas evoluam, em um cenário que ainda está em construção para as eleições de 2026.
Até o momento, não há um nome consolidado para a vaga de vice. As definições devem ocorrer ao longo das negociações políticas, que seguem em curso.

